Detecção precoce da hanseníase avança nas unidades de saúde de Belém - Estado do Pará Online

Detecção precoce da hanseníase avança nas unidades de saúde de Belém

Estrutura da atenção básica e ações nos bairros encurtam o caminho entre o primeiro sintoma e o início do tratamento

Tamiris Amorim / Ascom Sesma

A avaliação de uma simples mancha na pele pode ser o ponto decisivo para interromper a hanseníase em Belém. Hoje, esse diagnóstico não depende mais de serviços especializados distantes: ele começa, na maioria dos casos, dentro das Unidades Básicas de Saúde espalhadas pela cidade.

A mudança é reflexo de uma rede municipal mais treinada e descentralizada, capaz de reconhecer sinais precoces da doença e iniciar o tratamento no próprio território. O movimento ganha força durante o Janeiro Roxo, campanha nacional que chama atenção para a hanseníase e reforça o combate ao estigma.

Com cura garantida e tratamento gratuito pelo SUS, a doença exige rapidez no reconhecimento dos sintomas. Em Belém, a estratégia tem sido aproximar o cuidado da população, reduzindo o tempo entre a suspeita clínica e o início da medicação.

De acordo com a coordenadora da Referência Técnica em Hanseníase da Sesma, Gabrielle Lobo, a informação é decisiva para quebrar o medo histórico em torno da doença.
“O Janeiro Roxo reforça que a hanseníase tem cura, tratamento gratuito e não precisa ser escondida. Quando a informação chega às pessoas, o medo diminui, a busca pelas unidades aumenta e o diagnóstico acontece mais cedo”.

Capital segue como área prioritária

Entre 2020 e 2025, 983 casos de hanseníase foram registrados em Belém. Somente em 2025, 109 novos diagnósticos entraram nas estatísticas. Os números indicam transmissão ativa, mas também revelam um sistema de saúde mais atento e eficiente na detecção.

A Atenção Primária à Saúde concentra hoje a linha de frente desse enfrentamento. É na UBS que o paciente é avaliado, notificado, tratado e acompanhado, sem necessidade de deslocamentos longos ou interrupção do cuidado.

O acesso pode ocorrer tanto por procura espontânea quanto por identificação durante visitas domiciliares feitas pelos Agentes Comunitários de Saúde, que observam sinais suspeitos e orientam as famílias.

Capacitação mudou o cenário

Um divisor de águas para a rede foi a chegada da Carreta Roda-Hans, em setembro de 2025. O projeto levou capacitação prática e teórica a profissionais da rede municipal, fortalecendo a segurança clínica das equipes.

Mais de 350 profissionais participaram dos treinamentos, realizados durante uma semana na UBS Castanheira, que também atendeu casos suspeitos e confirmados. A iniciativa consolidou um novo cenário: todas as UBSs de Belém passaram a ter profissionais aptos a fechar o diagnóstico clínico da hanseníase.

Antes disso, a falta de qualificação dificultava a identificação precoce, atrasando o início do tratamento e ampliando riscos de sequelas.

Busca ativa dentro das comunidades

Os Agentes Comunitários de Saúde assumem papel estratégico nesse processo. Por estarem inseridos no cotidiano dos bairros, conseguem identificar alterações na pele, acompanhar contatos de casos confirmados e orientar a população sobre a importância da avaliação médica.

Essa presença constante encurta o caminho entre o sintoma e o cuidado, além de contribuir para interromper a transmissão da doença.

Sintomas exigem atenção

Manchas com perda de sensibilidade, dormência, formigamento, redução da força muscular e nódulos estão entre os principais sinais de alerta. Quando diagnosticada no início, a hanseníase pode ser tratada antes de causar deformidades e incapacidades permanentes.

O diagnóstico é clínico, baseado na avaliação da pele e dos nervos periféricos. Após a confirmação, o paciente segue em acompanhamento regular na UBS, com monitoramento da adesão ao tratamento e avaliação dos contatos domiciliares.

Janeiro Roxo vai além da conscientização

Mais do que uma campanha simbólica, o Janeiro Roxo funciona como um período estratégico para intensificar ações nos territórios. Desde o dia 5 de janeiro, Belém concentra atividades educativas, atendimentos e mutirões em bairros urbanos, ilhas e comunidades ribeirinhas.

As ações respeitam as particularidades de cada região, buscando reduzir barreiras de acesso e levar o cuidado a quem mais precisa. Ao mesmo tempo, o mês fortalece a integração entre vigilância em saúde, atenção básica e equipes técnicas.

A programação segue até o fim de janeiro, com atividades em UBSs, instituições de ensino e atendimentos itinerantes, encerrando no dia 30 de janeiro, no bairro do Telégrafo.

O atendimento para hanseníase está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde de Belém. Diante de qualquer sinal suspeito, a recomendação é procurar imediatamente a unidade mais próxima.

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