Uma denúncia exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, chama a atenção para um grave esquema de desvio de conduta envolvendo servidores públicos do Pará. A reportagem completa vai ao ar neste domingo (11), mas a chamada com o conteúdo da investigação já foi publicada nesta sexta-feira, citando diretamente o estado.
Segundo a prévia divulgada pelo programa, funcionários públicos que deveriam atuar na proteção da população e na condução de investigações estariam utilizando seus cargos para extorquir dinheiro e interferir no andamento de processos, negociando valores de propina de forma aberta. A equipe do Fantástico esteve em Belém para apurar o caso e identificar os servidores envolvidos.
]Embora o Fantástico ainda não tenha informado de forma explícita a que caso se refere a denúncia envolvendo servidores públicos do Pará, a descrição apresentada na chamada do programa tem levado a apurações preliminares a apontarem possível relação com as investigações conduzidas pelo Gaeco no âmbito da chamada Operação Apate, que posteriormente se desdobrou em outras frentes.
A apuração teve início a partir de uma fraude imobiliária estimada em mais de R$ 25 milhões e passou a revelar indícios de um esquema mais amplo de suposta venda de facilidades judiciais e interferência em investigações, envolvendo o promotor de Justiça Luiz Márcio Teixeira Cypriano e os delegados da Polícia Civil Carlos Daniel Fernandes de Castro, então diretor metropolitano, e Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho.
De acordo com relatórios da investigação, o esquema envolveria uma rede integrada por membros do Ministério Público e da Polícia Civil, com uso de intermediários, lavagem de dinheiro e negociação de decisões em troca de propina.
As apurações apontam ainda para a manipulação de inquéritos, direcionamento de processos, extorsão de investigados e repasses frequentes de valores ilícitos, inclusive por meio de familiares e assessores. Diante da gravidade dos fatos, parte do processo foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Pará, com pedidos de afastamento de agentes públicos, bloqueio de bens e aprofundamento das investigações.
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