Uma reportagem do Estadão publicada na terça-feira (21) afirma ter localizado, em Marília (SP), o endereço cadastrado da Maridt Participações, empresa ligada a familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e citada em transações envolvendo o resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná. No local, a equipe ouviu a cunhada do ministro, que negou qualquer relação do marido com a empresa ou com o empreendimento.
Segundo o jornal, a residência consta nos registros da Junta Comercial de São Paulo como sede da Maridt. No imóvel, a reportagem encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro. Ela afirmou desconhecer que a casa fosse usada como endereço empresarial e disse que o marido nunca foi sócio de resort. “Sócio? Olha minha casa”, declarou, ao contestar a associação feita a partir dos documentos oficiais.
Registros formais e contexto do caso
De acordo com o Estadão, a Maridt é uma sociedade anônima, o que mantém sigiloso o quadro societário. Ainda assim, documentos citados pelo jornal indicam assinaturas de José Eugênio como dirigente em operações de venda de participações ligadas ao Tayayá, além de registros que apontam a atuação de outro irmão do ministro, José Carlos, em cargos de direção da empresa.
As transações passaram a ser analisadas no contexto do inquérito que envolve o Banco Master, atualmente sob relatoria de Dias Toffoli no STF. O ministro assumiu o caso após decisão que levou a investigação à Corte, a partir de pedidos apresentados pela defesa do banqueiro Daniel Vorcaro.
Negativa da família e apuração em andamento
A reportagem do Estadão também relembra que, em 2021, a Maridt vendeu parte de suas cotas no resort a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Em fevereiro de 2025, segundo documentos mencionados pelo jornal, a empresa teria se retirado completamente do negócio após novas vendas de participações.
Cássia Pires Toffoli afirmou que o imóvel foi adquirido no fim dos anos 1990 por financiamento habitacional e disse que a situação da casa não condiz com a ideia de participação em um resort de alto padrão. Procurado pelo Estadão, José Eugênio não respondeu até a publicação da reportagem.












As informações até agora divulgadas já deveriam ser suficientes para o ministro Toffoli solicitar sua retirada da relatoria do caso, em nome da moralidade pública.