A crise política que envolve o prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano (Avante), e a direção nacional do PRD teve início imediato após a intervenção da cúpula partidária no diretório municipal. A decisão retirou a presidência local do partido das mãos do vice-prefeito Chico das Cortinas (PRD), movimento que acabou trazendo a disputa para o espaço público.
A crise no PRD em Parauapebas veio a público após a direção nacional retirar o comando do diretório municipal do vice-prefeito Chico das Cortinas (PRD). pic.twitter.com/Av7bVF48mg
— Portal Estado do Pará Online (@Estadopaonline) January 26, 2026
A mudança no comando municipal foi formalizada por decisão da Direção Nacional do PRD e comunicada em nota oficial datada de quinta-feira (22). O ato substituiu a Executiva Municipal e transferiu a presidência do partido em Parauapebas para o vereador Anderson Moratório (PRD). A decisão foi assinada pelo presidente nacional da sigla e pelo secretário-geral Kassio Ramos (PRD).
Diretório retirado e conflito prévio
Embora a retirada do diretório das mãos do vice-prefeito tenha sido o fato concreto que detonou a crise, fontes com trânsito nas duas alas do partido afirmam que o desgaste não se originou na relação com Chico das Cortinas. Segundo esses relatos, o embate sempre esteve concentrado na relação direta entre Aurélio Goiano e Kassio Ramos, da direção nacional do PRD, marcada por cobranças de cumprimento de acordos políticos firmados na campanha eleitoral.
Nesse contexto, a perda da presidência municipal pelo vice-prefeito é tratada, internamente, como consequência de um conflito mais amplo entre o prefeito e a cúpula nacional da sigla, e não como sua causa principal. Após a formalização da mudança, Chico das Cortinas cobrou explicações diretamente de Kassio Ramos, o que contribuiu para acelerar a exposição pública do rompimento.
Com a intervenção consumada, o conflito deixou o campo interno e passou a envolver diretamente o chefe do Executivo municipal. A disputa ganhou dimensão pública com a divulgação de vídeos e áudios nas redes sociais que extrapolaram o debate político e romperam limites éticos, ao levar para o espaço público acusações pessoais, referências à vida privada e ataques diretos de ambos os lados, além das divergências sobre acordos políticos firmados durante a campanha eleitoral.
Disputa sobre recursos de campanha
No centro do confronto público está a controvérsia sobre cerca de R$ 1 milhão utilizados na campanha eleitoral. Em uma das falas divulgadas, Aurélio Goiano afirmou: “O PRD Nacional mandou um milhão de reais de fundo eleitoral pra gente, que nós distribuímos na nossa campanha, na majoritária, na vice e pros vereadores. Tá tudo lá no DivulgaCand”. O prefeito também negou qualquer acordo envolvendo a entrega de cargos ou secretarias, sustentando que a relação com o partido sempre ocorreu em bases institucionais.
Kassio Ramos rebateu publicamente. Segundo ele, o valor foi liberado a partir de uma decisão interna sob sua responsabilidade dentro da direção nacional do PRD. Em um dos vídeos que circularam nas redes, declarou: “Esse dinheiro de um milhão foi eu que coloquei. Ninguém queria colocar esse recurso nessa campanha”. O dirigente também afirmou que houve pedidos de contrapartida política associados ao repasse, incluindo espaço na administração municipal.
Aurélio rejeitou as acusações e respondeu afirmando que os recursos foram oficialmente repassados pelo partido e devidamente declarados à Justiça Eleitoral. Em outro trecho divulgado, disse: “Eu conheço traição muito bem. O partido mandou o recurso e ele foi usado de forma legal, tudo declarado”.
Cenário político e projeções eleitorais
O episódio acirra o ambiente político em Parauapebas, município que figura entre os maiores PIBs do Pará em razão da atividade mineral e do volume de arrecadação própria. O conflito ocorre em um contexto de reorganização antecipada das forças locais e indica que o controle partidário e a definição de alianças devem assumir papel central na disputa eleitoral de 2026 no município, que historicamente exerce peso relevante nas estratégias políticas estaduais.
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