O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde que o crime foi tipificado em lei. Dados do Ministério da Justiça apontam 1.470 mulheres assassinadas por motivo de gênero, uma média de quatro mortes por dia no país.
No Pará, o cenário também é preocupante. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que o estado registrou 56 feminicídios em 2023, o que coloca o Pará como o 10º estado com maior número absoluto de casos no Brasil. Em comparação com 2019, houve um crescimento de 19,15% nas ocorrências desse tipo de crime no estado.
Além do aumento nos feminicídios, os registros de violência doméstica com lesão corporal também cresceram de forma significativa no Pará. Entre 2019 e 2023, os casos saltaram de 5.292 para 10.465, um aumento de aproximadamente 49%, enquanto o Brasil apresentou tendência de estabilidade no mesmo período.

Mulheres negras são as principais vítimas no Pará
Levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) revela que as mulheres pretas concentram a maioria das vítimas de feminicídio no estado, com percentuais que variaram entre 55% e mais de 90% ao longo dos últimos anos. Os dados reforçam o recorte racial da violência de gênero e evidenciam a maior vulnerabilidade das mulheres negras.
A faixa etária mais atingida no Pará é a de 35 a 64 anos, que representa mais de 40% das vítimas entre 2021 e 2023.

Violência ocorre, principalmente, dentro de casa
Outro dado alarmante é o local onde os crimes acontecem. Mais da metade dos feminicídios no Pará, entre 2019 e 2023, ocorreram dentro da própria residência da vítima. Esse padrão confirma que, na maioria dos casos, o agressor faz parte do convívio íntimo da mulher, geralmente companheiros ou ex-companheiros.

Casos no Pará
Em 2025, diversas ocorrências de tentativa de feminicídio no Pará chamaram a atenção das autoridades e da sociedade. Em Salinópolis, câmeras de segurança registraram um homem que ateou fogo contra a ex-companheira e a filha dela dentro de uma residência, deixando ambas com queimaduras graves.
Um homem suspeito de atear fogo na ex-companheira e na filha foi localizado neste domingo (28) após deslocamento por rodovias do nordeste paraense. O ataque ocorreu em Salinópolis, no litoral do Pará, e provocou ferimentos graves nas vítimas. pic.twitter.com/QW1VVdP9ru
— Portal Estado do Pará Online (@Estadopaonline) December 28, 2025
Em Belém, o Ministério Público do Pará (MPPA) denunciou o médico Felipe Almeida Nunes, 30 anos, pela prática de feminicídio qualificado tentado e injúria real contra a namorada, de 27 anos. A vítima foi arrastada por mais de um quarteirão após se pendurar na porta do veículo conduzido pelo acusado. Segundo o MPPA, o carro percorreu cerca de 244 metros empurrando a mulher pelo asfalto.
Em novembro, uma mulher foi surpreendida pelo ex-companheiro, em Tucuruí, com uma série de agressões registradas por câmeras de segurança, e o caso segue sob investigação enquanto a polícia busca o suspeito.
Legislação avançou, mas números seguem altos
O feminicídio passou a ser crime específico no Brasil em 2015, com a sanção da Lei nº 13.104, que reconhece o assassinato de mulheres por razão de gênero como crime hediondo. Antes disso, a Lei Maria da Penha (2006) já havia representado um marco no combate à violência doméstica.
Apesar dos avanços legais, os dados mostram que a violência continua avançando, especialmente em estados como o Pará, onde os indicadores seguem em crescimento.
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