Belém soma quase 400 áreas vulneráveis a alagamentos e erosões, aponta estudo - Estado do Pará Online

Belém soma quase 400 áreas vulneráveis a alagamentos e erosões, aponta estudo

Mapeamento detalha riscos em bairros e ilhas da capital e indica intervenções urgentes; Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) foi elaborado pela UFRA, em parceria com o Ministério das Cidades, Fiocruz e outras instituições.

Alex Ferro / COP30

Um levantamento técnico identificou 389 setores de risco espalhados por Belém, onde famílias convivem diariamente com a possibilidade de alagamentos, inundações e erosões. As áreas mapeadas estão distribuídas por 37 bairros da capital e oito distritos, incluindo regiões da área continental e ilhas.

O estudo mostra que 301 setores apresentam risco de inundação, enquanto 88 áreas sofrem com risco de erosão costeira, principalmente em distritos insulares como Combu, Cotijuba, Mosqueiro e Outeiro.

Na área continental, pelo menos 6.609 moradias estão classificadas com risco muito alto, alto ou médio de inundação. Já nas ilhas, 237 residências ficam em áreas sujeitas à erosão, onde o avanço da água compromete o solo e as estruturas das casas.

UFRA

Levantamento detalhado e feito com moradores

Os dados fazem parte do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Belém, elaborado com coordenação da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), em parceria com o Ministério das Cidades, a Fiocruz e outras instituições.

Além de estudos técnicos, o plano contou com participação direta de moradores, lideranças comunitárias, Defesa Civil, pesquisadores e estudantes. Foram realizadas atividades de campo, uso de drones, GPS e um mapeamento participativo, onde a própria população apontou vulnerabilidades do dia a dia.

Durante as escutas, moradores relataram alagamentos frequentes dentro das casas, perda de bens materiais, dificuldades de mobilidade e até isolamento de bairros em períodos de chuva intensa.

Chuvas fortes e marés elevadas agravam o cenário

Belém concentra 40% de todo o volume anual de chuvas entre janeiro e março, período conhecido como inverno amazônico. Nesse mesmo intervalo, as marés podem ultrapassar 3,7 metros, o que aumenta o risco de transbordamentos.

Segundo a coordenação do estudo, a combinação entre chuvas intensas, marés altas e áreas aterradas ou impermeabilizadas impede o escoamento natural da água, favorecendo alagamentos.

Na cidade, há muita precipitação, ou seja, chove bastante e há marés altas no primeiro trimestre. A tendência da água é escorrer para o seu rio principal, mas se essa área está aterrada ou impermeabilizada então a possibilidade de ocorrer inundação é muito alta se não forem tomadas medidas preventivas. Essa combinação de fatores é que leva a que as áreas de risco sejam constituídas”, explica a professora Milena Andrade, do Laboratório Geodesastres da Ufra.

UFRA

Bairros mais afetados e prioridades

O plano também estabeleceu uma ordem de prioridade para intervenções, apontando os bairros que mais necessitam de ações imediatas. O Tapanã aparece no topo da lista, seguido por Curió-Utinga, Paracuri, Terra Firme, São João do Outeiro, Una, Ponta Grossa, Maracacuera, Cremação e Sacramenta. Ao todo, 23.712 pessoas podem ser beneficiadas diretamente pelas intervenções propostas.

Soluções propostas vão além de obras

Entre as medidas estruturais sugeridas estão:

  • Canalização de cursos d’água
  • Implantação de microdrenagem
  • Limpeza e manutenção da drenagem superficial
  • Recomposição vegetal para conter margens de rios e canais

A canalização é a intervenção com maior custo estimado, mas o plano destaca que manter o que já existe é tão importante quanto construir novas estruturas.

É o tipo de intervenção que a gente propõe, a manutenção de estruturas que já existem, como a macrodrenagem. O processo de limpeza periódica dessas estruturas precisa estar na agenda do município, porque elas foram criadas para essa finalidade”, reforça Milena Andrade.

O documento também propõe medidas não estruturais, como a criação de sistemas de alerta para chuvas e marés, ações permanentes de educação para redução de riscos e revisão de leis urbanísticas.

UFRA

Próximos passos

Após 15 meses de trabalho, o PMRR de Belém foi entregue à Prefeitura em agosto de 2025. Agora, a mesma equipe iniciou o desenvolvimento do plano de redução de riscos para o município de Ananindeua, na Região Metropolitana.

O levantamento deixa claro que os problemas enfrentados por Belém não são recentes, mas exigem planejamento contínuo, investimento e ações preventivas para reduzir impactos sobre quem vive nas áreas mais vulneráveis da cidade.

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