Bárbara Coelho diz que mulheres não vão abandonar o palco do jogo após fala machista de zagueiro do Bragantino - Estado do Pará Online

Bárbara Coelho diz que mulheres não vão abandonar o palco do jogo após fala machista de zagueiro do Bragantino

Após atribuir derrota do Bragantino a uma árbitra por ser mulher, Gustavo Marques pediu desculpas em vídeo, e manifestação da jornalista da CazéTV reforçou debate sobre violência simbólica no esporte

Jogador e jornalista aparecem lado a lado
Reprodução/Redes Sociais

O zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, divulgou um pedido de desculpas em vídeo nas redes sociais após protagonizar uma declaração machista contra a árbitra Daiane Muniz, depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo FC, pelas quartas de final do Campeonato Paulista, no sábado (21). A retratação ocorreu após forte repercussão negativa e manifestações públicas de repúdio.

Na gravação, o jogador afirmou estar arrependido, pediu perdão “a todas as mulheres” e relatou ter sido repreendido pela esposa e pela mãe. Segundo ele, também procurou a equipe de arbitragem no vestiário para se desculpar pessoalmente. O clube confirmou a iniciativa e divulgou nota repudiando o episódio.

Reação pública e voz feminina no debate

A repercussão ganhou ainda mais força após a manifestação da jornalista Bárbara Coelho, integrante da CazéTV, que utilizou seu espaço na transmissão para contextualizar a gravidade da fala.

Para ela, atitudes misóginas no esporte refletem uma cultura que ainda naturaliza a violência simbólica contra mulheres. A jornalista destacou que o episódio não foi um comentário isolado, feito em ambiente privado, mas uma declaração pública, em contexto profissional, sem qualquer tipo de contenção.

Em sua análise, Bárbara ressaltou que Daiane Muniz é uma das principais árbitras do país e que sua atuação não teve relação com a eliminação do Bragantino. Segundo ela, o desempenho da equipe foi o fator determinante para o resultado.

A fala que gerou a polêmica

Logo após a partida, Gustavo Marques criticou a arbitragem e associou supostos erros ao fato de a árbitra ser mulher. Na entrevista, questionou a escolha da profissional para um jogo decisivo e colocou em dúvida sua imparcialidade, o que gerou reação imediata de torcedores, jornalistas e entidades esportivas.

A declaração ampliou o debate sobre machismo no futebol brasileiro e sobre a presença feminina em funções historicamente ocupadas por homens, como a arbitragem em competições masculinas.

Posicionamento institucional e consequências

A Federação Paulista de Futebol manifestou “profunda indignação” e informou que encaminhou o caso à Justiça Desportiva para análise e eventual adoção de medidas disciplinares.

Para Bárbara Coelho, episódios como esse não podem ser tratados como pontuais ou esquecidos rapidamente. Em sua avaliação, mulheres não devem “abandonar o palco” do esporte, e o enfrentamento ao machismo precisa ser permanente, dentro e fora de campo.

Resultado em campo

Na partida, o São Paulo venceu por 2 a 1 e garantiu vaga na semifinal do Estadual. Bobadilla e Lucas Moura marcaram para o Tricolor, enquanto Gustavo Marques fez o gol do Bragantino. O resultado confirmou a eliminação da equipe.

O episódio, no entanto, ultrapassou o aspecto esportivo e se consolidou como mais um marco no debate sobre respeito, igualdade e responsabilidade pública no futebol brasileiro.

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