Agente de imigração dos EUA mata mulher a tiros em Minneapolis gerando crise política e protestos - Estado do Pará Online

Agente de imigração dos EUA mata mulher a tiros em Minneapolis gerando crise política e protestos

Incidente ocorreu durante a “Operation Metro Surge” e Prefeitura de Minneapolis contesta versão do governo federal sobre legítima defesa

A cidade de Minneapolis vive um cenário de tensão após uma operação do Immigration and Customs Enforcement (ICE), realizada na última quarta-feira (7), que resultou na morte de uma mulher de 37 anos durante uma ação em uma área residencial. O caso provocou um embate entre autoridades locais e o governo federal, além de protestos na região metropolitana.

O incidente e a “Operation Metro Surge”

A ação fazia parte da Operation Metro Surge, ofensiva federal que mobilizou cerca de 2 mil agentes para operações de prisão migratória em massa. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a chegada de viaturas policiais a uma rua bloqueada por um carro. Dois agentes descem do carro e um deles tenta abrir a porta do veículo. Quando a motorista tenta arrancar, um terceiro agente dispara várias vezes.

Em outro vídeo é possível ouvir gritos e o som do veículo desgovernado colidindo com um poste. A vítima foi identificada como Renee Goltinha, de 37 anos. A nacionalidade não foi divulgada pelas autoridades. Segundo informações iniciais, ela não era alvo da operação e foi atingida após seu veículo bloquear temporariamente a via utilizada pelos agentes.

Conflito de narrativas

O presidente Donald Trump defendeu a atuação dos agentes, afirmando que os disparos ocorreram em legítima defesa, sob a alegação de que a motorista teria avançado com o carro contra a equipe federal. A versão foi contestada pela Prefeitura de Minneapolis.

O prefeito Jacob Frey classificou a explicação apresentada pelo governo federal como uma “narrativa lixo”. De acordo com Frey e com o chefe de polícia da cidade, Brian O’Hara, imagens de câmeras de monitoramento indicariam que o veículo estava se afastando no momento em que os disparos foram efetuados.

Contexto político e histórico

Desde 2025, Minneapolis tem sido alvo de operações federais de fiscalização migratória, com ações concentradas em áreas onde vive a comunidade somali, a maior dos Estados Unidos. Em dezembro, declarações do presidente Donald Trump sobre imigrantes do Leste Africano geraram reação de autoridades locais e de entidades ligadas à defesa dos direitos civis.

O caso registrado nesta quarta-feira também remete a episódios marcantes da história recente da cidade. A menos de dois quilômetros do local da ocorrência, em 2020, George Floyd morreu durante uma abordagem policial. O episódio desencadeou manifestações em todo o país e passou a simbolizar o debate nacional sobre violência policial e racismo estrutural nos Estados Unidos.

Repercussão e investigações

O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu calma à população enquanto as investigações seguem em andamento. O caso reacende o debate sobre os limites das operações federais em áreas urbanas e a autonomia das cidades diante de ações de segurança conduzidas pelo governo central.

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