Entretenimento

Ronaldo Brasiliense celebra 50 anos de jornalismo com lançamento de primeiro livro

“Relatos da vida real” reúne histórias de cinco décadas de profissão e será lançado neste sábado (12), em Belém

Por Lucas Neves
10/09/2026 às 19:30 • 5 min
“Relatos da vida real” reúne histórias de cinco décadas de profissão e será lançado neste sábado (12), em Belém

Divulgação

Há 50 anos, Ronaldo Brasiliense começava uma trajetória que atravessaria diferentes períodos da história do Brasil e do jornalismo. Em 26 de agosto de 1976, o jornalista teve a carteira de trabalho assinada pela primeira vez, no jornal O Liberal. Meio século depois, ele transforma parte dessa experiência em livro.

Intitulado “Relatos da vida real”, o primeiro livro de Ronaldo será lançado neste sábado (12), a partir das 18h, no Espaço Canto, no primeiro andar do histórico edifício Manuel Pinto da Silva, próximo à Praça da República, em Belém.

A obra é definida pelo próprio autor como uma “quase memória” e percorre episódios que marcaram sua carreira como repórter, especialmente na cobertura investigativa da Amazônia. Mais do que reunir reportagens, Ronaldo, que conversou em exclusividade com o Estado do Pará Online (EPOL), pretende apresentar também os bastidores e as dificuldades enfrentadas para produzir jornalismo em uma região de dimensões continentais.

“É o meu primeiro livro, uma ‘quase memória’, uma viagem por 50 anos de profissão, não apenas mostrando matérias de destaque, mas também os bastidores da pauta”, explica.

Segundo ele, fazer jornalismo investigativo na Amazônia envolve desafios que vão desde a falta de logística até os riscos enfrentados durante as apurações. Ronaldo cita, como exemplo, as condições da Transamazônica, onde, segundo ele, alguns trechos continuam apresentando dificuldades semelhantes às encontradas décadas atrás.

“Ser repórter investigativo, denunciando corrupção nos poderes e o arbítrio dos poderosos é profissão de alto risco”, afirma.

Da máquina de escrever à inteligência artificial

Ao olhar para as transformações ocorridas durante suas cinco décadas de profissão, Ronaldo resume a mudança tecnológica em uma comparação direta: “Passou da máquina de escrever para a inteligência artificial, da biblioteca pública para o Google”.

Apesar dos avanços tecnológicos, o jornalista avalia que o cenário profissional também perdeu características que considera fundamentais. Para ele, as redações já foram mais ousadas e o exercício da profissão contou, em outros momentos, com maior liberdade.

“O jornalismo paraense já viveu tempos melhores, com mais liberdade, com redações mais ousadas. Hoje, infelizmente, em termos de liberdade de expressão, vivemos tempos sombrios”, avalia.

Ronaldo Brasiliense celebra 50 anos de jornalismo com lançamento de primeiro livro
Lançamento do livro de Ronaldo Brasiliense ocorre neste sábado (12), em Belém.

A experiência começou ainda durante a ditadura militar, período em que, segundo Ronaldo, apurar denúncias era apenas uma parte do desafio. Conseguir publicar o material também exigia enfrentar obstáculos.

“Jornalismo não é profissão para covardes. Apurar roubalheira na ditadura dava trabalho, mas conseguir publicar dava mais trabalho, ainda”, relembra.

Histórias além das reportagens

Entre os episódios recuperados no livro está a reportagem “Vale destrói a pré-história da Amazônia”, que, de acordo com Ronaldo, foi recusada pelos jornais e revistas procurados por ele na época.

Sem espaço para publicar o material, o jornalista decidiu produzir uma revista especial. A reportagem posteriormente recebeu o Prêmio Petrobras de Jornalismo, em 2017, em cerimônia realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

É justamente esse tipo de história que o autor pretende resgatar na obra: aquilo que acontecia antes, durante e depois da publicação de uma reportagem e que nem sempre chega ao conhecimento do leitor.

O alerta sobre a Amazônia

Depois de cinco décadas acompanhando as transformações da região, Ronaldo também utiliza o livro como uma espécie de alerta para o futuro da Amazônia.

Para o jornalista, a pressão sobre a floresta não é um fenômeno recente. Ele relaciona o avanço do desmatamento a diferentes ciclos econômicos e atividades que, ao longo das décadas, contribuíram para a degradação ambiental.

“Já perdemos muito tempo. Os ataques na maior floresta tropical do mundo já têm mais de 50 anos”, afirma.

Ronaldo cita entre as principais ameaças o desmatamento, a grilagem de terras, a exploração ilegal de madeira, o garimpo, a pecuária extensiva e o avanço da agricultura, especialmente com o cultivo de soja e milho.

Para ele, a preservação da floresta exige uma mudança de postura diante da dimensão dos problemas acumulados ao longo de décadas.

“Desmatamento zero pode ser uma solução, mas hoje é só um sonho”, conclui.

O lançamento de “Relatos da vida real” marca, assim, não apenas os 50 anos de carreira do jornalista, mas também a tentativa de registrar, em livro, uma parte da história do jornalismo investigativo feito na Amazônia e das transformações vividas pela região ao longo desse período.

Leia também:

WhatsApp