Eleições 2026

Gastos de campanha presidencial já passam de R$ 78 milhões, com Flávio Bolsonaro na liderança; veja o ranking

Prestação de contas mostra estratégias financeiras distintas entre candidatos: campanha do PL já contratou R$ 52,7 milhões, enquanto petista recebeu R$ 35,9 milhões, mas declarou apenas R$ 100 mil em despesas

Por Mayra Peniche
10/09/2026 às 17:38 • 6 min

Foto: Canva

A corrida presidencial de 2026 começa a revelar, também pelos números, o tamanho das estruturas montadas pelos principais candidatos. Flávio Bolsonaro (PL) aparece muito à frente dos adversários em despesas contratadas, com R$ 52,7 milhões, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) soma R$ 20,9 milhões e Zema (NOVO), R$ 3,1 milhões. Na outra ponta desse cenário está Lula (PT), que já recebeu R$ 35,9 milhões em recursos, mas declarou apenas R$ 100 mil em despesas contratadas.

Os dados constam nas prestações de contas mais recentes disponibilizadas pela Justiça Eleitoral e mostram que as campanhas não estão apenas em momentos financeiros diferentes. Elas também parecem operar com ritmos distintos de execução dos recursos disponíveis.

Ao todo, os candidatos que apresentaram valores no levantamento já contrataram R$ 78,67 milhões em despesas. Quase todo esse montante, no entanto, está concentrado em duas campanhas: Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado respondem juntos por 93,65% dos gastos contratados.

Ranking

Depois dos quatro primeiros colocados, a diferença de escala aumenta consideravelmente. Renan Santos (Missão) declarou R$ 644,7 mil em despesas contratadas, seguido por Hertz Dias (PSTU), com R$ 453,1 mil, e Wilson Grassi (Democrata), com R$ 403,8 mil.

Augusto Cury (Avante) aparece com R$ 248,8 mil, enquanto Edmilson Costa (PCB) soma R$ 7,57 mil e Rui Costa Pimenta (PCO), R$ 137,30.

Clariana Barão (DC) declarou R$ 1,5 milhão em receitas, mas ainda não registrou despesas contratadas na prestação analisada.

Samara Martins (UP) não havia apresentado prestação de contas à Justiça Eleitoral até o levantamento, por isso não há dados disponíveis para incluí-la no ranking de gastos.

Flávio coloca uma estrutura milionária em movimento

A campanha de Flávio Bolsonaro é, até agora, a que apresenta a maior dimensão financeira. Os R$ 52,7 milhões em despesas contratadas superam, inclusive, o volume de receitas declarado até a atualização da prestação, que foi de R$ 44,5 milhões.

O dado não significa, por si só, que a campanha esteja sem recursos para honrar os compromissos, já que receitas e despesas podem ser registradas em momentos diferentes. Mas evidencia o tamanho da estrutura que já foi colocada em operação.

O perfil dos gastos ajuda a entender onde está concentrado esse investimento. R$ 42,26 milhões, ou 80,14% das despesas contratadas, estão classificados como serviços prestados por terceiros.

Entre os principais fornecedores aparecem empresas ligadas à propaganda, produção audiovisual, tecnologia, dados e comunicação. A estratégia, portanto, está fortemente apoiada na contratação de serviços especializados para a campanha.

Até a atualização de 8 de setembro, R$ 24,51 milhões haviam sido efetivamente pagos.

Caiado aposta alto em comunicação

A segunda posição de Ronaldo Caiado também chama atenção pela distância em relação aos demais candidatos. A campanha já contratou R$ 20,94 milhões, embora tenha declarado R$ 6,63 milhões em receitas.

Aqui, porém, a concentração dos gastos revela uma estratégia diferente da de Flávio. Metade do valor contratado, R$ 10 milhões, está em serviços prestados por terceiros. Outros R$ 10 milhões foram destinados à produção de programas de rádio, televisão ou vídeo.

Na prática, quase toda a despesa registrada pela campanha está concentrada em comunicação e serviços relacionados à estrutura eleitoral.

A diferença entre o que foi contratado e o que já saiu efetivamente do caixa também é expressiva. Dos R$ 20,94 milhões contratados, R$ 3,17 milhões haviam sido pagos até a última atualização.

Zema aparece em outro patamar

Zema ocupa o terceiro lugar, mas está em um patamar financeiro bastante inferior aos dois primeiros colocados. A campanha declarou R$ 3,13 milhões em despesas contratadas, diante de R$ 3,9 milhões em receitas.

O comportamento dos gastos sugere uma campanha mais enxuta, embora também concentrada na contratação de serviços. Essa categoria representa 68,41% das despesas, com R$ 2,14 milhões.

O candidato também destinou R$ 300 mil a serviços advocatícios, R$ 196,5 mil à produção de programas de rádio, televisão ou vídeo e R$ 169,2 mil à publicidade por adesivos.

Um aspecto particularmente relevante está na origem do dinheiro: R$ 3,6 milhões dos recursos recebidos por Zema vieram da direção nacional do NOVO, o equivalente a 92,22% das doações registradas.

O contraste com Lula

É justamente a posição de Lula que produz um dos contrastes mais significativos do levantamento.

O petista recebeu R$ 35,9 milhões em recursos, praticamente todo o valor vindo do próprio partido. Ainda assim, a campanha declarou somente R$ 100 mil em despesas contratadas na prestação atualizada em 5 de setembro.

Ou seja, a campanha de Lula tem recursos declarados, mas ainda não transformou esse volume em despesas registradas na mesma proporção.

O cenário pode mudar rapidamente, principalmente porque prestações de contas são atualizadas ao longo da campanha e os gastos podem ser registrados posteriormente. Ainda assim, o retrato atual indica uma diferença significativa de ritmo em relação às campanhas de Flávio e Caiado.

Dos R$ 100 mil contratados, R$ 93,9 mil foram destinados à publicidade por materiais impressos. Apenas R$ 6,1 mil aparecem como despesas pagas.

Dinheiro disponível não significa gasto realizado

A comparação também ajuda a separar duas dimensões que costumam ser confundidas na leitura das prestações eleitorais: quanto uma campanha recebeu e quanto efetivamente já comprometeu em despesas.

Flávio, por exemplo, já contratou mais despesas do que declarou ter recebido. Caiado apresenta uma diferença ainda maior entre receitas e despesas contratadas. Zema, por outro lado, já comprometeu cerca de 80% dos recursos declarados.

Lula está no extremo oposto: recebeu R$ 35,9 milhões, mas registrou apenas R$ 100 mil em despesas.

Isso não permite concluir que uma campanha seja mais forte ou mais fraca apenas pelo volume registrado. Mas oferece uma fotografia importante do momento atual da disputa: enquanto algumas candidaturas já colocaram estruturas milionárias de comunicação e prestação de serviços em funcionamento, outras ainda aparecem com uma execução financeira muito mais contida nas contas apresentadas à Justiça Eleitoral.

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