Serviços

Materiais que iriam para o lixo viram roupas e arte em oficina de moda em Belém

Projeto Círio Iluminado 2026 já atendeu mais de 350 pessoas em oficinas voltadas à capacitação e geração de renda

Por Elielson Almeida
10/09/2026 às 11:23 • 4 min

Projeto aposta na moda sustentável como ferramenta de capacitação e geração de novas oportunidades de renda. (Foto: divulgação)

Uma calça jeans rasgada, um pedaço de plástico ou qualquer outro material que seria descartado pode ganhar uma nova função quando passa pelas mãos de quem trabalha com criatividade. Em Belém, moradores estão aprendendo a transformar materiais sem uso em peças de moda durante a Oficina de Moda Criativa do projeto Círio Iluminado 2026, realizada na Casa Energia da Cultura.

Comandada pelo designer de moda e estilista Jomaique Melo, a oficina aposta no reaproveitamento de tecidos e materiais recicláveis para ensinar técnicas de criação, customização e produção de peças. A proposta é aproximar sustentabilidade e economia criativa, além de preparar os participantes para ampliar seus produtos e buscar novas possibilidades de geração de renda.

Com dez anos de atuação no mercado, Jomaique defende que a moda pode ir muito além da produção e do consumo de roupas. Durante as atividades, os participantes passam por uma imersão que deve resultar em um desfile com as peças produzidas ao longo da oficina.

“A gente sempre ouve que moda é futilidade, mas aqui estamos focando no reaproveitamento. Quero mostrar o que fazemos na Amazônia de forma didática e divertida, fazendo com que os alunos acreditem no potencial da moda sustentável”, afirma o estilista.

A capacitação faz parte de um conjunto de oficinas profissionalizantes do Círio Iluminado 2026. Segundo a organização, mais de 350 pessoas já foram atendidas pelas diferentes atividades oferecidas pelo projeto, que tem como foco o desenvolvimento de habilidades técnicas e a possibilidade de geração de renda nas comunidades participantes.

Entre os alunos está a enfermeira e artesã Eva Sarmento, que trabalha com artesanato há 15 anos e já utiliza materiais encontrados em praias na produção de suas peças. Para ela, a oficina representa uma oportunidade de levar o reaproveitamento também para o vestuário.

“É a possibilidade de criar com materiais que muitos pensam ser descartáveis, como o plástico, e transformá-los em vestuário e arte. Além de ajudar o meio ambiente, essa troca nos abre portas para alcançar um público maior e gerar renda extra”, conta.

A artesã Ana Helena, que atua há 12 anos no segmento, também buscou a formação para ampliar conhecimentos que já fazem parte da rotina de produção. Ela conta que costuma trabalhar com reciclagem e reaproveitamento de materiais junto às filhas e vê na oficina uma forma de incorporar novas técnicas ao próprio trabalho.

“O curso vem resgatar aquilo que parecia inútil e dar uma nova vida. É fundamental ter essa atenção hoje, e conseguir unir o meu trabalho como artesã a essa pegada sustentável é uma oportunidade produtiva e necessária para o planeta”, relata.

Moda sustentável e mercado

Além da questão ambiental, o projeto pretende aproximar os participantes das possibilidades comerciais da moda sustentável. De acordo com Olívio Rafael, diretor do Círio Iluminado 2026, a oficina foi pensada para conectar elementos da cultura paraense às demandas do mercado e estimular a criação de produtos com potencial de comercialização.

“A proposta é levar ao comércio produtos com alto potencial de venda, incentivando a inclusão de diferentes grupos sociais e dando visibilidade aos talentos locais”, afirma.

O projeto Círio Iluminado 2026 tem apoio institucional do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e da Fundação Cultural do Pará, via Lei Semear. A produção executiva é da Associação Pernambucana Compartilhar (Aspecom).

Serviço

As oficinas do projeto Círio Iluminado 2026 são gratuitas. Informações sobre inscrições e programação podem ser consultadas no perfil @cirio.iluminado.

Leia também:

WhatsApp