Brasil

“Esqueceram de nos avisar”, diz advogada de família de crianças desaparecidas no Maranhão

Nathaly Moraes, advogada que acompanha o caso de Ágatha Isabelly e Allan Michael, afirma que nem Polícia Federal nem Polícia Civil comunicaram formalmente a família sobre não haver crianças brasileiras em operação nos EUA

Por Daniel Vinagre
10/09/2026 às 09:28 • 5 min

Foto: reprodução/ redes sociais

A advogada criminalista Nathaly Moraes, que acompanha o caso dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos há oito meses em Bacabal, no Maranhão, afirmou que a família ainda não recebeu qualquer comunicação oficial sobre a informação de que nenhuma criança brasileira teria sido localizada em uma operação recente nos Estados Unidos.

Segundo Nathaly, a informação passou a circular após a Polícia Civil do Maranhão afirmar que a Polícia Federal havia descartado a existência de pedido de cooperação internacional relacionado a crianças maranhenses desaparecidas que teriam sido encontradas na operação norte-americana. A advogada, no entanto, diz que esse posicionamento não foi oficialmente repassado à família.

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“Se for verdade, não repassaram pra nós até o momento. Então esqueceram de nos avisar, porque nós não recebemos nenhuma notificação formal, nenhuma informação, nem vinda da Polícia Federal, tampouco da Polícia Civil”, afirmou.

A Polícia Federal informou, segundo a versão divulgada pelas autoridades, que nenhuma criança brasileira estaria entre as 163 pessoas localizadas durante a chamada Operação Statewide Shield, realizada nos Estados Unidos.

Mesmo diante da informação, Nathaly afirma que a família não pretende interromper as buscas por Ágatha e Allan.

“A nossa resposta é: não vamos parar. Vamos continuar procurando até encontrar. Vamos movimentar tudo que for possível, mas ninguém pare enquanto essas crianças não forem encontradas ou quando nós tivermos uma resposta clara. Nós não vamos parar.”

“Chegou o momento de falar tudo”

Em outro relato, a advogada afirmou que, durante os últimos meses, orientou a mãe das crianças, Clarice Cardoso, a evitar tornar públicas determinadas situações envolvendo o andamento do caso. Agora, segundo Nathaly, as duas decidiram mudar a postura.

“Durante esse período a gente tem guardado muitas coisas. Eu tinha orientado Clarice no sentido: ‘Clarice, não fala, não fala isso, deixe isso para um momento adequado’. Só que diante da situação nós tomamos a decisão em conjunto que a gente vai falar mesmo, vai falar tudo que está acontecendo, tudo que já aconteceu.”

A advogada voltou a afirmar que, até o momento, a família não recebeu uma resposta definitiva da Polícia Federal sobre as informações relacionadas aos Estados Unidos.

“Continuamos dizendo que não temos nenhuma resposta definitiva da Polícia Federal, não foi passado para nós até o momento.”

Ela também afirmou que a família pretende tornar públicas outras informações que, até então, eram mantidas reservadas.

Mãe diz ter sido “apunhalada pelas costas”

Clarice Cardoso também se pronunciou e criticou a forma como tomou conhecimento das informações divulgadas pelas autoridades. Segundo ela, depois de oito meses acompanhando as investigações, esperava ser comunicada diretamente antes de uma manifestação pública.

“Eu sempre tive vontade de abrir minha boca aqui, de falar o que realmente vem acontecendo, o que realmente eu venho passando durante esses oito meses, a falta de responsabilidade das autoridades competentes.”

A mãe afirmou ter se sentido desrespeitada ao tomar conhecimento de uma nota sem ter sido previamente procurada.

“Ontem eu fui apunhalada mais uma vez pelas costas com uma nota que nem eu sabia e eu, como mãe, tenho direito de saber. Acho que não custava nada me chamar, ter meu contato: ‘Olha, dona Clarice, a gente precisa sentar pra conversar com você’. E eu não fui chamada.”

Família pediu inclusão na Interpol

Nesta quarta-feira (9), Clarice e Nathaly participaram de uma reunião na sede da Polícia Federal, em São Luís, para discutir a ampliação das buscas pelos irmãos. Durante o encontro, solicitaram a inclusão de Ágatha e Allan na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo internacional utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas.

O pedido deve passar pela Diretoria de Cooperação Internacional da Polícia Federal antes de eventual encaminhamento à Interpol.

Após a reunião, Clarice também forneceu material genético para elaboração de um perfil de DNA. A medida ocorreu após a família apresentar imagens de uma criança encontrada nos Estados Unidos que, na avaliação dos familiares, apresenta características semelhantes às de Allan Michael. A própria família reconhece, porém, que as fotografias não permitem confirmar a identidade e que uma eventual confirmação dependerá de comparação genética.

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro, enquanto brincavam com outra criança na região do quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Desde então, as buscas envolveram forças de segurança estaduais e federais, militares, bombeiros e voluntários, mas os irmãos ainda não foram localizados.

O Estado do Pará Online (EPOL) entrou em contato com a advogada Nathaly Moraes para obter mais informações sobre as declarações, o andamento das buscas e as comunicações recebidas pela família. A reportagem aguarda retorno.

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