Política

Nikolas Ferreira pediu ajuda a Vorcaro para liberar “ativo minerário”, revela site

Áudio obtido pela coluna deJuliana Dal Piva mostra deputado intermediando contato entre o dono do Banco Master e seu advogado e ex-assessor Thiago Faria, posteriormente citado em investigação da Operação Rejeito

Por Daniel Vinagre
03/09/2026 às 08:22 • 4 min

Foto: Câmara dos deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ajuda para tratar de um “ativo minerário” ligado a Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor do parlamentar. A informação foi revelada nesta quinta-feira (3) pela coluna da jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, que teve acesso a mensagens e a um áudio enviado pelo deputado em março de 2025.

Na gravação, Nikolas chama Vorcaro de “Dani” e “lindão”, diz que gostaria de ter mais proximidade com o banqueiro e apresenta Faria como seu amigo, advogado e “irmão”. O deputado afirma que o advogado possuía um ativo minerário que já teria passado por análise técnica e precisava tratar do assunto com pessoas ligadas à empresa de Vorcaro.

“Eu posso dar um toque nele”, afirmou Nikolas ao relatar a conversa que havia mantido com Faria.

O deputado disse não saber exatamente do que se tratava o negócio, mas afirmou confiar no advogado e se colocou à disposição para fazer a ponte entre os dois.

“Não sei nem do que se trata, mas enfim, como é uma pessoa que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso”, disse.

Fonte: ICL Notícias

“Estamos na guerra juntos”

Segundo a reportagem, o áudio foi enviado em 30 de março de 2025. Vorcaro respondeu minutos depois por meio de uma mensagem de áudio de visualização única, cujo conteúdo não aparece no material divulgado.

Na sequência, Nikolas agradeceu e encaminhou o contato de Thiago Faria. Vorcaro respondeu: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos” e orientou que o advogado entrasse em contato diretamente com ele.

No dia seguinte, Nikolas voltou a procurar o banqueiro e informou que Faria estaria em Brasília e disponível em qualquer horário. Em 2 de abril, Vorcaro respondeu: “Deixa comigo”.

A reportagem ressalta que o conjunto das mensagens não permite determinar se Vorcaro efetivamente ajudou Faria ou se o negócio relacionado ao ativo minerário avançou.

Fonte: ICL Notícias

Nikolas também se desculpou com Vorcaro

No mesmo áudio, Nikolas aproveitou para pedir desculpas ao banqueiro por uma publicação feita em 2024. Na ocasião, o deputado havia criticado um evento realizado em Londres, financiado pelo Banco Master e que contou com integrantes de tribunais superiores.

Nikolas afirmou que, se soubesse que se tratava do banco de Vorcaro, teria conversado com ele antes de fazer a publicação.

“Se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente”, afirmou o parlamentar.

Ao final da gravação, manifestou interesse em encontrar pessoalmente Vorcaro: “Depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão.”

Ex-assessor apareceu em investigação sobre mineração

O ICL também relaciona o episódio à Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025 para investigar um esquema de extração ilegal de minério de ferro em Minas Gerais.

Segundo a reportagem, com base em informações publicadas anteriormente pelo jornal Estado de Minas e em trechos do inquérito da PF, Thiago Faria atuou como intermediário em uma negociação envolvendo direitos de lavra e empresas investigadas na operação.

Um contrato firmado em janeiro de 2025 entre a Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia e a Gmais Ambiental previa remuneração vinculada ao negócio. De acordo com trecho do inquérito reproduzido pela reportagem, a negociação poderia alcançar entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões, com percentual de comissão destinado aos intermediários.

Faria disse ao ICL que trabalha com mineração e que havia encaminhado o ativo minerário a diferentes pessoas. Também afirmou não ter relação com as irregularidades investigadas e que nunca foi chamado para depor pela Polícia Federal.

A coluna informou ter enviado cinco perguntas a Nikolas Ferreira e Thiago Faria. Segundo a publicação, Faria respondeu aos questionamentos, enquanto Nikolas estava em campanha e não apresentou manifestação reproduzida na reportagem.

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Com informações do ICL Notícias

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