Eleições 2026

Nas redes, eleição começa a ganhar forma com “notas” do Instagram virando declaração de apoio a Lula e Flávio

Estrelas vermelhas e bandeiras do Brasil passaram a aparecer nas notas da plataforma e são usadas por usuários para sinalizar preferência na disputa presidencial

Por Estado do Pará Online
17/08/2026 às 13:04 • 4 min

Foto: reprodução Instagram

A eleição de 2026 parece, enfim, ter começado também nas redes sociais. Desde a noite de domingo (16), quando teve início oficialmente o período de propaganda eleitoral, um movimento espontâneo passou a chamar a atenção dos usuários do Instagram: as declarações de apoio a candidatos por meio das chamadas “Notas”, recurso que aparece no topo da caixa de mensagens da plataforma.

Entre os sinais que mais viralizaram estão uma estrela vermelha, associada aos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a bandeira do Brasil sobre um fundo verde, utilizada por eleitores que declaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. A tendência ganhou força justamente no momento em que a campanha eleitoral passou a ocupar oficialmente as redes.

A brincadeira funciona como uma espécie de código político. Em vez de publicar uma declaração explícita de voto ou compartilhar uma peça de campanha, o usuário coloca o símbolo na nota e sinaliza aos seguidores de que lado está na disputa.

O movimento chama atenção porque transforma uma ferramenta cotidiana e informal do Instagram em uma espécie de painel espontâneo de preferências políticas. Ao mesmo tempo, a repercussão mostra como as redes sociais devem ocupar um espaço central na campanha presidencial deste ano.

Mais do que divulgar propostas, candidatos e partidos terão de disputar atenção, engajamento e identificação em ambientes nos quais os próprios eleitores também produzem e espalham conteúdo. A legislação eleitoral permite manifestações espontâneas de apoio nas redes, mas estabelece restrições para propaganda, impulsionamento, uso irregular de influenciadores e outras formas de comunicação digital.

Redes viram termômetro, mas não substituem pesquisas

Para especialistas em marketing político, o comportamento nas redes pode ajudar campanhas a identificar tendências, temas que mobilizam os eleitores e o grau de engajamento de determinados grupos. O consultor de marketing político Marcelo Vitorino, por exemplo, já definiu as redes sociais como uma espécie de “termômetro”, embora ressalte que a velocidade das plataformas pode fazer com que um fenômeno pontual pareça maior do que realmente é.

A análise é especialmente importante neste momento porque a eleição ainda está no início. Uma tendência que viraliza entre usuários do Instagram não necessariamente representa a preferência da maioria do eleitorado. As redes concentram públicos específicos e são influenciadas por algoritmos, bolhas políticas e pelo comportamento dos próprios usuários.

Por isso, especialistas defendem que os dados digitais sejam observados em conjunto com pesquisas eleitorais tradicionais. A análise de redes permite acompanhar, praticamente em tempo real, o que está sendo comentado, compartilhado e rejeitado, mas não substitui levantamentos de intenção de voto.

Ainda assim, o fenômeno das estrelas vermelhas e das bandeiras brasileiras revela uma mudança importante: a disputa presidencial já começa a aparecer no comportamento cotidiano dos eleitores. E, à medida que a campanha avançar, o Instagram, o TikTok, o WhatsApp e outras plataformas devem se transformar em espaços cada vez mais importantes para medir a temperatura da disputa.

No caso das “Notas”, um recurso que normalmente serve para compartilhar uma música, uma frase ou uma mensagem rápida ganhou, em poucas horas, uma função política. De maneira simples e visual, usuários passaram a transformar o próprio perfil em uma pequena declaração pública de voto.

É um dos primeiros sinais de que, em 2026, a campanha eleitoral também será travada na tela do celular.

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