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Onde cada presidenciável decidiu começar a campanha de 2026?

Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema e outros escolheram locais simbólicos para dar a largada na corrida pelo Palácio do Planalto

Por Estado do Pará Online
16/08/2026 às 18:23 • 8 min

A campanha eleitoral para a Presidência da República começou oficialmente neste domingo (16), e os principais candidatos ao Palácio do Planalto escolheram locais estratégicos para marcar o primeiro dia da disputa. Os presidenciáveis apostaram em cenários capazes de reforçar suas histórias políticas, suas bases eleitorais e as mensagens que pretendem levar ao eleitorado.

A maior parte dos atos foi concentrada na Região Sudeste, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) optou por iniciar a campanha em Goiás. A escolha dos locais revela diferentes estratégias: Lula voltou ao cenário que marcou sua ascensão política, Flávio Bolsonaro escolheu um dos principais palcos do bolsonarismo, Renan Santos retornou à faculdade onde começou sua militância e Zema decidiu começar pelo Norte de Minas, região que tradicionalmente não é identificada com a direita.

Lula voltou ao lugar onde começou a trajetória política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para iniciar oficialmente sua campanha à reeleição.

A escolha tem forte carga simbólica. Foi naquele espaço que Lula ganhou projeção nacional como líder sindical durante as grandes greves dos metalúrgicos do ABC, no final da década de 1970. O estádio se tornou um dos principais símbolos da trajetória que levou o então sindicalista à política nacional e, posteriormente, à Presidência da República.

O próprio lema escolhido para o lançamento, “Onde tudo começou”, resume a estratégia. Ao retornar à Vila Euclides, Lula tenta associar sua candidatura à própria história política, às origens no movimento sindical e à relação construída ao longo de décadas com trabalhadores e movimentos sociais.

O ato também foi usado para apresentar o slogan “O Brasil pronto para mais” e reforçar temas como participação feminina e soberania nacional.

Flávio Bolsonaro escolheu Copacabana e reforça ligação com o pai

Principal nome da oposição a Lula, Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para seu primeiro grande ato de campanha.

A escolha não é casual. A orla de Copacabana se tornou um dos principais palcos das manifestações políticas de Jair Bolsonaro, pai do candidato e principal referência do bolsonarismo. O local recebeu grandes mobilizações durante o governo Bolsonaro e também durante a campanha de 2022.

Flávio deve reproduzir parte da estética utilizada pelo pai, com discurso em trio elétrico e concentração de apoiadores na orla. A estratégia permite que o candidato associe sua imagem à principal base política da família Bolsonaro e apresente sua candidatura como continuidade do projeto iniciado pelo ex-presidente.

No discurso de abertura, Flávio priorizou segurança pública, combate ao crime organizado e críticas ao governo Lula, além de utilizar um áudio do pai durante o evento. A campanha adotou o slogan “O Brasil vai vencer”.

Renan Santos levou campanha para a Faculdade de Direito da USP

O candidato do Missão, Renan Santos, escolheu o Largo São Francisco, no centro de São Paulo, onde funciona a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

A escolha também está diretamente relacionada à trajetória pessoal do candidato. Renan estudou Direito na instituição e foi naquele ambiente que iniciou sua atuação no movimento estudantil e sua trajetória política.

O local, entretanto, transformou o lançamento em um dos atos mais simbólicos e controversos do primeiro dia de campanha. Entidades estudantis, incluindo a UNE e o Centro Acadêmico XI de Agosto, protestaram contra a realização do evento e acusaram o candidato de tentar se apropriar da história política e democrática da Faculdade de Direito.

A escolha também dialoga com a estratégia do MBL, movimento do qual Renan é uma das principais lideranças, de disputar espaços tradicionalmente associados à esquerda e ao movimento estudantil.

Ronaldo Caiado iniciou em Goiás, seu principal reduto político

Enquanto os principais adversários escolheram cidades do Sudeste, Ronaldo Caiado decidiu começar a corrida presidencial em Goiás, estado onde construiu sua carreira política e governou por dois mandatos.

O candidato do PSD iniciou o dia com uma carreata pelo Entorno do Distrito Federal. O percurso passou por Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, antes do ato principal em Luziânia.

A estratégia é apresentar Caiado a partir de seu principal cartão eleitoral: a experiência administrativa em Goiás. Ao escolher municípios do entorno de Brasília, o candidato também busca conversar com uma região populosa e marcada por problemas relacionados à segurança pública, infraestrutura e serviços públicos.

A campanha tenta, dessa forma, apresentar Caiado como um político experiente e com experiência no Executivo, em contraste com candidatos que nunca administraram um estado ou município.

Romeu Zema escolhe Montes Claros e mira o Norte de Minas

Romeu Zema (Novo) escolheu Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, para iniciar sua campanha.

O primeiro compromisso foi uma missa na região central da cidade, seguida de uma passagem pelo Mercado Municipal. A agenda também incluiu contato direto com apoiadores.

A escolha de Montes Claros tem um componente político importante. O Norte de Minas é uma região onde a esquerda possui historicamente uma presença eleitoral relevante. Ao começar a campanha ali, Zema busca ampliar seu discurso para além de seu principal reduto e apresentar resultados de sua gestão em Minas Gerais.

A campanha cita, entre as ações realizadas na região durante o governo Zema, a construção do Contorno de Montes Claros, rodovia de aproximadamente 14 quilômetros.

O primeiro ato também serviu para apresentar um dos principais eixos da candidatura: segurança pública. Zema defendeu a construção de um “superpresídio” no Norte do país para líderes de facções criminosas e voltou a criticar ministros do Supremo Tribunal Federal.

Augusto Cury começa em Santa Luzia

O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), que estreia em uma eleição presidencial, escolheu Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, para iniciar a campanha.

Segundo a equipe do candidato, Minas foi escolhida pela ligação com sua trajetória política. Foi no estado que Cury anunciou sua pré-candidatura, em março.

A escolha também ajuda a construir a imagem de Cury como um nome de fora da política tradicional. Médico, escritor e pesquisador, ele tenta apresentar uma candidatura associada à educação, ao desenvolvimento humano e à busca de uma alternativa à polarização entre Lula e a direita bolsonarista.

Samara Martins leva a campanha para a Zona Leste de São Paulo

Samara Martins (UP) escolheu a Zona Leste de São Paulo para começar sua campanha. A concentração ocorreu na Estação José Bonifácio, seguida de uma caminhada pela região de Guaianazes.

A escolha tem relação direta com a base social defendida pela candidata. Segundo a própria campanha, a região concentra trabalhadores da indústria e um grande número de mulheres submetidas a jornadas duplas e triplas.

O objetivo é apresentar desde o primeiro dia uma candidatura voltada aos trabalhadores, aos movimentos populares e às pautas sociais. Samara representa a Unidade Popular e integra uma chapa formada exclusivamente por mulheres.

E os demais candidatos?

A eleição presidencial de 2026 tem 13 candidaturas registradas, segundo levantamento publicado pela Exame após o encerramento do prazo de registro. A lista inclui, além dos nomes citados acima, candidatos como Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Pablo Marçal (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata).

Até o início da campanha, porém, nem todas essas candidaturas haviam divulgado publicamente uma agenda detalhada para o primeiro dia. Levantamento publicado às vésperas da abertura oficial apontava que Clariana Barão, Leonardo Avalanche, Rui Costa Pimenta e Wilson Grassi não haviam informado seus cronogramas de atividades para 16 de agosto.

O cenário mostra que, entre os candidatos que definiram seus primeiros atos, existe uma tendência clara: começar a campanha em lugares que contam uma história sobre o próprio candidato.

Lula retorna às greves do ABC. Flávio Bolsonaro ocupa um dos principais palcos do bolsonarismo. Renan Santos volta à universidade onde começou sua militância. Caiado começa no estado que governou. Zema aposta no Norte de Minas. Cury permanece em Minas Gerais, onde lançou sua candidatura e Samara escolhe uma região marcada pela presença de trabalhadores.

Além do que uma questão geográfica, a escolha do primeiro palanque funciona como uma primeira mensagem ao eleitor. Antes mesmo de apresentar todas as propostas, cada candidato procura dizer quem é, de onde veio e qual eleitor pretende alcançar.

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