Cidades

Delegacias da Mulher realizaram mais de 780 mil atendimentos em 2025; Norte concentrou 19,7 mil vítimas

Diagnóstico do Ministério da Justiça mostra que perseguição e violência psicológica foram os crimes que mais cresceram no país; 80% das unidades especializadas ainda não funcionam 24 horas por dia

Por Estado do Pará Online
09/08/2026 às 09:27 • 2 min
Medidas incluem o uso obrigatório de monitoramento eletrônico e alertas em tempo real para as vítimas.

Reprodução

As unidades especializadas da Polícia Civil no Atendimento à Mulher em todo o Brasil registraram 782.474 atendimentos ao longo de 2025, abrangendo casos de ameaça, lesão corporal, injúria, importunação sexual, estupro e feminicídio. Os dados constam no 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, divulgado nesta sexta-feira (7) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

O balanço indica que 329.451 mulheres foram atendidas, evidenciando que muitas vítimas precisaram retornar à delegacia mais de uma vez para prestar depoimento ou solicitar apoio.

O levantamento compilou informações de 530 das 585 unidades em funcionamento no país, no âmbito do marco dos 20 anos da Lei Maria da Penha.

Distribuição regional e principais crimes

A Região Sudeste liderou o volume de vítimas atendidas (125.769), respondendo por 47,8% do total nacional, seguida pelo Nordeste (53.067), Centro-Oeste (43.662), Sul (21.087) e Norte (19.712 vítimas ou 7,5%).

Entre os crimes registrados em 2025, o de maior incidência foi o de ameaça (148.544 casos), seguido por lesão corporal (99.473) e injúria (88.739). Contudo, os maiores crescimentos percentuais na comparação com a pesquisa anterior (ano-base 2023) foram observados nos crimes de violência psicológica (alta de 49,7%, somando 23.911 registros) e perseguição/stalking (alta de 44,3%, com 52.855 casos).

Medidas protetivas e gargalos operacionais

As ações nas delegacias resultaram no pedido de 302.626 medidas protetivas de urgência ao Judiciário, das quais 118.672 foram concedidas. Do total concedido, 38.214 acabaram descumpridas pelos agressores.

Apesar de a rede contar atualmente com 585 unidades e mais de 6.200 servidores especializados, o relatório do MJSP aponta carências estruturais graves: 80% das unidades especializadas ainda não funcionam 24 horas por dia e 57% das unidades relatam falta de recursos para investigação, 46% apontam escassez de viaturas e 40% citam carência de equipamentos de menor potencial ofensivo.

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