Eleições 2026

MDB prioriza Hana e Helder e adota neutralidade presidencial pela primeira vez em 20 anos

Convenção Nacional libera diretórios estaduais para apoiar diferentes candidatos ao Planalto e concentra estratégia eleitoral na disputa por governos, Senado e bancadas legislativas.

Por Estado do Pará Online
31/07/2026 às 20:24 • 5 min
Hana Ghassan e Helder Barbalho, prioridades do MDB nas eleições de 2026

Hana Ghassan e Helder Barbalho foram incluídos entre os nomes prioritários do MDB para as eleições de 2026.

O MDB definiu as eleições da governadora Hana Ghassan para o Governo do Pará e do ex-governador Helder Barbalho para o Senado entre as prioridades nacionais do partido em 2026. Ao mesmo tempo, a legenda decidiu não impor aos diretórios estaduais uma aliança única na disputa pela Presidência da República, diante das diferentes posições existentes entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e grupos ligados ao bolsonarismo.

A estratégia foi aprovada durante a Convenção Nacional do MDB, realizada de forma on-line na segunda-feira (27). Sem candidatura própria ao Palácio do Planalto, o partido também não formalizará apoio nacional a nenhum dos presidenciáveis no primeiro turno.

Com isso, cada diretório estadual poderá decidir se apoiará Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) ou outro candidato, de acordo com as alianças e circunstâncias políticas locais.

No Pará, a resolução nacional reforça a centralidade das candidaturas de Hana e Helder na estratégia emedebista. Na relação divulgada pela Executiva Nacional, Hana aparece como candidata à reeleição ao Governo do Estado, enquanto Helder é apresentado como nome do partido para uma das duas vagas paraenses no Senado.

A inclusão dos dois na lista nacional representa um respaldo político da direção do MDB às candidaturas que deverão liderar a chapa majoritária do partido no Pará. As candidaturas, porém, ainda precisam ser formalmente homologadas pela convenção estadual da legenda.

Polarização pesou na decisão

A neutralidade nacional procura evitar que a escolha de um candidato à Presidência provoque divisões internas e prejudique alianças consideradas estratégicas nos estados.

O MDB reúne lideranças próximas ao governo Lula, especialmente no Norte e no Nordeste, mas também possui diretórios e candidatos aliados a grupos conservadores e ao campo político identificado com o bolsonarismo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Segundo a Folha de S.Paulo, parte dos emedebistas deverá apoiar a reeleição de Lula, enquanto outros grupos poderão se alinhar a Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado.

A decisão não significa necessariamente que o MDB ficará distante da eleição presidencial. Na prática, a sigla deverá participar da disputa por meio de diferentes palanques regionais, sem que uma posição nacional obrigatória coloque em risco as candidaturas locais.

Para o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, a autonomia concedida aos estados ajuda a preservar a unidade partidária.

“A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo”, afirmou.

Primeira neutralidade em duas décadas

A decisão rompe uma sequência de 20 anos em que o MDB (antigo PMDB) participou formalmente das eleições presidenciais, seja integrando uma coligação nacional, seja apresentando candidato próprio.

De acordo com levantamentos publicados pela Veja e pelo Congresso em Foco, a última vez em que o partido adotou uma posição semelhante foi em 2006.

Naquele ano, o então PMDB não lançou candidato à Presidência nem firmou uma aliança nacional. Os diretórios estaduais ficaram divididos entre a reeleição de Lula e a candidatura do tucano Geraldo Alckmin. No Pará, PT e PMDB ficaram oficialmente no mesmo campo eleitoral, conforme registros da cobertura daquela disputa.

Depois disso, o partido passou a ter participação direta em todas as eleições presidenciais:

  • Em 2010, Michel Temer foi eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff;
  • Em 2014, Dilma e Temer foram reeleitos;
  • Em 2018, o MDB lançou Henrique Meirelles como candidato à Presidência;
  • Em 2022, a legenda disputou o Planalto com Simone Tebet, que terminou o primeiro turno na terceira colocação.

Assim, 2026 será a primeira eleição presidencial desde 2006 em que o MDB não terá candidato próprio nem fará parte oficialmente da coligação de outro presidenciável no primeiro turno.

Foco nos estados e no Congresso

Ao retirar a eleição presidencial do centro de sua estratégia, o MDB pretende concentrar esforços na eleição de governadores e senadores e na ampliação das bancadas na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas.

O partido contabiliza dez candidaturas aos governos estaduais, algumas ainda dependentes de homologação nas respectivas convenções. No caso paraense, Hana Ghassan e Helder Barbalho passam a integrar formalmente o conjunto de nomes considerados estratégicos pela direção nacional.

A resolução também amplia a margem de negociação do MDB do Pará para construir alianças com partidos de diferentes campos políticos. A prioridade estabelecida em Brasília é preservar a composição estadual capaz de fortalecer a candidatura de Hana ao governo e a disputa de Helder pelo Senado, independentemente do palanque presidencial que venha a ser adotado no Estado.

Dessa forma, a Convenção Nacional enviou duas mensagens simultâneas: o MDB não pretende transformar a polarização presidencial em motivo para um racha interno e, no Pará, considera as eleições de Hana Ghassan e Helder Barbalho peças prioritárias de seu projeto de crescimento nacional.

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