Política

Lula diz que filho responderá à Justiça sem privilégios caso seja julgado: ‘Não vai ficar escondido’

Declaração foi dada após autorização do STF para abertura de inquérito que investiga Fábio Luís Lula da Silva por suposto tráfico de influência e corrupção

Por Estado do Pará Online
31/07/2026 às 14:13 • 4 min
Declaração foi dada após autorização do STF para abertura de inquérito que investiga Fábio Luís Lula da Silva por suposto tráfico de influência e corrupção

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (31) que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não receberá qualquer tratamento diferenciado caso seja responsabilizado pela Justiça. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., após a autorização para abertura de um inquérito que investiga o empresário por suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

Segundo Lula, o filho deverá responder à Justiça da mesma forma que qualquer outro cidadão e terá de provar a própria inocência, caso seja denunciado.

“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei”, afirmou o presidente.

Lula também disse que Lulinha não deixará o país para evitar eventuais processos.

“Se for julgado ele virá para cá, não vai ficar escondido não. Vai ter que provar que é inocente. E, se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra”, declarou.

O presidente ainda relembrou os impactos da Operação Lava Jato sobre sua família e afirmou que o filho conhece as consequências de responder a acusações públicas.

STF autoriza investigação

Também nesta quinta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para apurar se Lulinha praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao supostamente atuar em favor do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações envolvendo o Ministério da Saúde.

Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos principais investigados na Operação Sem Desconto, que apura desvios em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

De acordo com as investigações, a Polícia Federal apura uma possível atuação de Lulinha em negociações relacionadas ao mercado de cannabis medicinal. A suspeita é de que ele tenha intermediado contatos para favorecer interesses do lobista junto ao Ministério da Saúde.

As investigações também apontam que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes tentou firmar, entre 2024 e 2025, um contrato milionário com o governo federal para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol. Segundo o Ministério da Saúde, porém, o contrato nunca foi celebrado.

Defesa nega irregularidades

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, afirmou que a Polícia Federal não encontrou qualquer irregularidade envolvendo seu cliente nas investigações sobre fraudes no INSS e criticou a abertura do novo inquérito.

Segundo o advogado, a nova investigação representa uma tentativa de buscar elementos sem indícios concretos.

“Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave”, declarou.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que nunca firmou contratos com a empresa World Cannabis nem com qualquer um dos acionistas citados na investigação e ressaltou que não houve repasse de recursos públicos às empresas mencionadas.

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