Política

“América Latina precisa de parceiros confiáveis, não de porta-aviões”, afirma Lula no jornal The Washington Post

Em artigo publicado no jornal norte-americano, presidente brasileiro adverte que barreiras comerciais de Trump desorganizam cadeias produtivas e garante que o Brasil não aceitará ingerência externa na Amazônia ou no Pix

Por Daniel Vinagre
26/07/2026 às 12:26 • 3 min

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a imposição de tarifas de até 37,5% a produtos brasileiros pelos Estados Unidos é um “erro estratégico e injusto” que acabará por prejudicar a própria economia norte-americana. Em artigo de opinião assinado no jornal The Washington Post neste domingo (26), Lula advertiu que o isolamento comercial promovido pela administração de Donald Trump acelera a substituição de fornecedores americanos e aproxima o Brasil de outros blocos globais, como a China e a União Europeia.

No texto, o Lula ressaltou a desproporção e as perdas econômicas já registradas no intercâmbio comercial entre os dois países. No primeiro semestre, o comércio bilateral recuou 12,8%, atingindo o menor nível de exportações brasileiras para os EUA desde 1997. Em contrapartida, no mesmo período, o comércio do Brasil com a União Europeia cresceu 6,1% e as trocas com o mercado chinês saltaram 15,9%.

Críticas ao neocolonialismo e foco no desenvolvimento

Para o presidente, a política tarifária da Casa Branca entra em contradição com a própria estratégia de segurança declarada pelos Estados Unidos para o continente. Lula ressaltou que a América Latina busca desenvolvimento socioeconômico com base em relações previsíveis e de respeito mútuo.

“A América Latina e o Caribe não precisam de porta-aviões rondando suas águas nem de punições tarifárias. O que nos falta são parceiros confiáveis e previsíveis. Neste momento em que os EUA isolam seu mercado, outros países se apresentam como alternativas, oferecendo uma agenda positiva”, escreveu o presidente no The Washington Post.

Lula completou pontuando que “a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome, a pobreza e a desigualdade”, classificando a divisão do planeta em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos como “gestos anacrônicos e retrocessos”.

Defesa da soberania digital, ambiental e do Pix

No artigo encaminhado ao periódico internacional, o presidente rebatendeu diretamente os argumentos apresentados por Donald Trump para aplicar a sobretaxa. Lula negou que o Pix discrimine empresas americanas, definindo o sistema como uma referência global de infraestrutura pública digital, e defendeu a atuação do país contra o desmatamento e o crime em redes sociais.

O texto é encerrado com uma mensagem firme quanto à diplomacia nacional, indicando prontidão para o diálogo, mas sem concessões de autonomia:

“As alegações do Presidente Trump contra o Brasil, na tentativa de justificar as tarifas, são infundadas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade nas plataformas de redes digitais — não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas (…) O destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência”, concluiu Lula.

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