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Relatório do Cenipa aponta que voo da Voepass não deveria ter sido autorizado

Investigação identificou falhas da companhia, da tripulação e da Anac na cadeia de fatores que contribuíram para o acidente

Por Elielson Almeida
24/07/2026 às 15:18 • 2 min

Acidente ocorreu em agosto de 2024, em Vinhedo (SP), e deixou 62 mortos entre passageiros e tripulantes. (Foto: reprodução)

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, matando 62 pessoas, não deveria ter sido liberado para decolar. O relatório final da investigação foi divulgado nesta quinta-feira (23).

Segundo o documento, a aeronave operava com o sistema de proteção contra o acúmulo de gelo inoperante. Nessas condições, o voo não poderia ter sido autorizado caso houvesse previsão de formação de gelo durante a rota, cenário que acabou sendo encontrado durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).

A investigação aponta que o acúmulo de gelo comprometeu o desempenho do avião, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico e, posteriormente, a queda da aeronave sobre uma área residencial em Vinhedo. O acidente deixou 58 passageiros e quatro tripulantes mortos.

Além das condições da aeronave, o Cenipa identificou falhas no despacho operacional realizado pela companhia e concluiu que a tripulação demorou a reconhecer a perda de desempenho causada pelo gelo, deixando de executar, em tempo hábil, os procedimentos recomendados pelo fabricante para sair da área de formação severa de gelo.

O relatório também aponta fragilidades na cultura de segurança operacional da Voepass. De acordo com a investigação, análises de mais de 1,2 mil voos identificaram registros recorrentes de falhas no sistema de degelo e situações semelhantes às observadas no acidente.

Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que irá analisar tecnicamente as conclusões e as recomendações apresentadas pelo Cenipa. Já a Voepass afirmou que colaborou com as investigações desde o acidente e reiterou solidariedade às famílias das vítimas. A empresa destacou ainda que as investigações do Cenipa têm caráter preventivo e não têm como objetivo atribuir responsabilidades civis ou criminais.

Com informações da CNN Brasil*

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