Cidades

Violência armada dentro de casas cresce 367% na Grande Belém, aponta Fogo Cruzado

Por Estado do Pará Online
13/07/2026 às 12:05 • 4 min

Foto: Agência Brasil

A Região Metropolitana de Belém registrou, em junho, o maior número de pessoas baleadas dentro de casa desde o início do monitoramento do Instituto Fogo Cruzado na área, em novembro de 2023. Ao todo, 14 pessoas foram atingidas por disparos dentro de residências no período. Todas morreram.

Segundo o levantamento, 93% das vítimas baleadas dentro de casa foram atingidas durante ações e operações policiais. Isso representa 13 das 14 pessoas mortas nesses espaços.

O número registrado em junho deste ano é 367% maior que o contabilizado no mesmo mês de 2025, quando três pessoas foram baleadas dentro de casa na Grande Belém.

Ações policiais concentraram metade dos tiroteios

As ações policiais também tiveram peso significativo no total de ocorrências de violência armada registradas em junho. Dos 38 tiroteios mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado na Região Metropolitana de Belém, 19 ocorreram durante ações ou operações policiais, o equivalente à metade dos registros.

O total de tiroteios ficou igual ao observado em junho de 2025, quando também foram contabilizados 38 casos. No entanto, o número de pessoas baleadas aumentou 9%.

Em junho deste ano, 37 pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo na Grande Belém. Desse total, 34 morreram e três ficaram feridas. No mesmo período do ano passado, 34 pessoas haviam sido baleadas, sendo 28 mortas e seis feridas.

Instituto cobra revisão de protocolos

Para Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará, o crescimento das vítimas dentro de residências aponta para a necessidade de rever a forma como as operações policiais são planejadas e executadas.

“O crescimento da violência armada dentro de residências revela uma crise que vai além da segurança pública. Ela expõe a ausência de governança territorial em áreas onde o Estado chega apenas de forma reativa e armada”, avalia.

Segundo ele, quando a maioria das vítimas baleadas dentro de casa é atingida em ações policiais, o debate sobre limites e protocolos dessas operações se torna urgente.

“Não se trata de questionar a necessidade da atuação policial, mas de exigir que ela seja conduzida com o máximo de proteção a todas as vidas. Nenhuma operação bem planejada deveria resultar em civis baleados em suas próprias casas ou na vulnerabilidade de familiares e vizinhos”, afirma Eryck.

O coordenador defende que a recorrência desses casos exige revisão da inteligência usada nas operações, dos critérios de acionamento e das medidas de transparência e responsabilização.

Belém concentrou maioria dos registros

Entre os municípios da Região Metropolitana, Belém concentrou 66% dos tiroteios registrados em junho. A capital teve 25 ocorrências, com 22 mortos e três feridos.

Também houve registros em Ananindeua, com cinco tiroteios e quatro mortos; Barcarena, com dois tiroteios e dois mortos; Marituba, com dois tiroteios e dois mortos; Santa Izabel do Pará, com dois tiroteios e um morto; Castanhal, com um tiroteio e dois mortos; e Benevides, com um tiroteio e um morto.

Bairros com mais tiroteios

Cabanagem (Belém): 3 tiroteios e 3 mortos

Campina de Icoaraci (Belém): 2 tiroteios, 1 morto e 2 feridos

Curió-Utinga (Belém): 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido

Fátima (Belém): 2 tiroteios e 3 mortos

Guamá (Belém): 2 tiroteios e 2 mortos

Marco (Belém): 2 tiroteios e 2 mortos

Tapanã (Belém): 2 tiroteios e 2 mortos

O levantamento reforça o avanço da violência armada em espaços domésticos, onde a população deveria estar protegida, e amplia o alerta sobre os efeitos das operações policiais em áreas urbanas da Região Metropolitana de Belém.

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