Cidades

Coletivo da Vila da Barca leva culinária amazônica à Embaixada da Suíça em Brasília

Por Estado do Pará Online
09/07/2026 às 11:35 • 4 min

Foto: divulgação

O coletivo “Cozinha da Vila”, formado por mulheres da Vila da Barca, em Belém, será responsável pelo jantar realizado nesta quinta-feira (9), na Embaixada da Suíça, em Brasília. O evento, em alusão ao Dia da Suíça, deve reunir mais de 400 convidados.

Com pratos preparados a partir de ingredientes da Amazônia, o grupo vai apresentar sabores, técnicas e saberes tradicionais da culinária paraense. Entre os insumos utilizados estão peixe, camarão, caranguejo, chicória, alfavaca, cupuaçu, farinha e açaí.

“Eles não vêm da indústria, vêm da floresta, dos rios e das mãos de pequenos produtores”, destaca a cientista política e ativista social Suane Barreirinhas, uma das coordenadoras do Roteiro Cozinha Periférica.

Da Vila da Barca para Brasília

O Cozinha da Vila nasceu a partir do Roteiro Cozinha Periférica, projeto desenvolvido ao longo de 2025 com formações em gastronomia, empreendedorismo e comunicação digital. A iniciativa foi voltada principalmente a mulheres da Vila da Barca, comunidade de palafitas localizada na região central de Belém.

Segundo a pedagoga e professora da educação infantil Inêz Medeiros, também coordenadora do projeto, muitas participantes já trabalhavam com a venda de comidas, lanches e cafés dentro da comunidade.

“Grande parte das mulheres da Vila da Barca são mães solo e chefes de família. Muitas delas já trabalhavam com a venda de comidas, lanches e cafés. O que nós fizemos foi fortalecer o empreendedorismo dessas mulheres, oportunizando o aprendizado de novas técnicas e ampliando as possibilidades de uso de insumos que elas mesmas já conheciam”, afirma.

Com a visibilidade do projeto, as participantes passaram a receber convites para prestação de serviços em almoços, cafés e eventos. A partir disso, o grupo se consolidou como coletivo gastronômico, gerando renda diretamente para as mulheres envolvidas.

Sabores amazônicos no cardápio

Um grupo de cinco mulheres viajou a Brasília para representar o coletivo no jantar. Entre elas está a chef Iza Freitas, responsável pela casquinha de caranguejo, um dos principais pratos da noite.

“Eles não vêm da indústria, vêm da floresta, dos rios e das mãos de pequenos produtores”, destaca a cientista política e ativista social Suane Barreirinhas, uma das coordenadoras do Roteiro Cozinha Periférica.

Além da casquinha de caranguejo, o cardápio terá ceviche de manga e torta Maria Izabel de bacuri. Na quarta-feira (8), durante uma coletiva de imprensa em Brasília, o grupo também serviu caldo de camarão, cuscuz de farinha de Bragança, redução de tucupi e peixe grelhado.

O jantar também contará com pratos tradicionais da culinária suíça, como a raclette, feita com queijo derretido servido com batatas, embutidos e acompanhamentos.

Projeto fortalece memória e renda

A ida do coletivo à Embaixada da Suíça é resultado de uma trajetória iniciada por ações comunitárias na Vila da Barca. O Roteiro Cozinha Periférica foi apoiado pela Embaixada da Suíça no Brasil, por meio do Edital de Apoio a Projetos da Sociedade Civil.

A iniciativa se soma a outros projetos desenvolvidos por moradores da comunidade, como a Barca Literária, a revista Vozes da Vila e o Museu Memorial Vila da Barca, criado para preservar a memória da comunidade às margens da Baía do Guajará.

Para o historiador e jornalista Kelvyn Gomes, integrante da comissão organizadora, os projetos ajudam a disputar a narrativa sobre a Vila da Barca, frequentemente associada apenas à precariedade.

“A imagem construída sobre comunidades periféricas é pejorativa. Sobre a Vila da Barca não seria diferente. Isso nos causava um enorme incômodo. Então, desde 2019, começamos a desenvolver ações que buscavam resgatar e recontar a história da comunidade, sobretudo a partir de suas potencialidades”, afirma.

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