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Benedito Ruy Barbosa: relembre novelas marcantes da carreira do autor que morreu aos 95 anos

Por Felipe Borges
07/07/2026 às 12:31 • 6 min

Foto: Twitter/Reprodução

O autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos nesta terça-feira (7), após ser internado por complicações relacionadas à insuficiência renal crônica. Considerado um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, ele deixou um legado com obras que marcaram gerações de telespectadores.

Nascido em 1931, em Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa se mudou para a capital paulista em busca de oportunidades profissionais. Antes de se consolidar como escritor, trabalhou com contabilidade, foi aprovado em concurso público e também atuou como repórter.

O primeiro romance escrito por ele foi “Fogo frio”. Depois, já como autor contratado, escreveu “Somos Todos Irmãos”, exibida pela extinta TV Tupi.

Novelas de Benedito Ruy Barbosa que marcaram a televisão brasileira

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito Ruy Barbosa escreveu novelas que se tornaram referências da televisão brasileira, principalmente por abordar temas ligados ao interior do país, conflitos familiares e questões sociais.

Meu Pedacinho de Chão (1971)

Foto: Reprodução

Uma das primeiras novelas de destaque de Benedito Ruy Barbosa foi “Meu Pedacinho de Chão”, exibida originalmente em 1971 numa coprodução entre a TV Cultura e a TV Globo.

A produção introduziu o universo rural na obra do autor, característica que se tornou sua principal marca registrada na dramaturgia brasileira. Estrelada por nomes como Maurício do Valle e Renée de Vielmond, a trama ganhou um remake lúdico e multicolorido em 2014, protagonizado por Bruna Linzmeyer, Rodrigo Santoro e Antônio Fagundes, sob a direção criativa de Luiz Fernando Carvalho.

Cabocla (1979)

Foto: Reprodução

Baseada no romance de Ribeiro Couto, “Cabocla” foi adaptada por Benedito e exibida originalmente em 1979 pela TV Globo.

A obra se destacou pela sensibilidade ao retratar o interior do Brasil, imortalizando o casal Zuca e Luís Jerônimo, vividos por Glória Pires e Fábio Júnior (que também levaram o romance para a vida real na época). A história ganhou uma nova e marcante versão na emissora em 2004, adaptada pelas filhas do autor, Edmara e Edilene Barbosa, desta vez trazendo Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira nos papéis principais.

Sinhá Moça (1986)

Foto: Nelson Di Rago/Globo

Lançada em 1986, “Sinhá Moça” consolidou o nome de Benedito Ruy Barbosa no horário das 18h da TV Globo, após um breve retorno do autor à TV Bandeirantes.

A trama abordava com força o período abolicionista no Brasil e trouxe Lucélia Santos no papel-título, repetindo a dobradinha de sucesso com Rubens de Falco (o terrível Barão de Araruna) desde os tempos de Escrava Isaura. Em 2006, a novela ganhou um remake de grande sucesso liderado por Débora Falabella e Danton Mello.

Pantanal (1990)

Foto: Divulgação/TV Manchete.

Exibida originalmente em 1990 pela extinta TV Manchete, “Pantanal” quebrou recordes de audiência, bateu de frente com a Globo e se tornou um dos maiores fenômenos da história da televisão sob a direção marcante de Jayme Monjardim.

A produção imortalizou a inesquecível Juma Marruá de Cristiana Oliveira, além de Marcos Winter (Jove), Marcos Palmeira (Tadeu) e o saudoso Cláudio Marzo em papel triplo (Velho do Rio, José Leôncio e o pai dele, Joventino). Em 2022, a novela ganhou um aclamado remake na TV Globo, escrito por Bruno Luperi, neto de Benedito, revelando Alanis Guillen e consagrando Marcos Palmeira agora no papel do patriarca Zé Leôncio.

Renascer (1993)

Foto: Divulgação/TV Globo.

Lançada em 1993, “Renascer” marcou o retorno do autor à Globo em grande estilo, iniciando uma das eras de maior sucesso da faixa das 21h com a direção poética de Luiz Fernando Carvalho.

Ambientada na zona cacaueira de Ilhéus, na Bahia, a trama trouxe Antônio Fagundes na pele do poderoso e místico coronel José Inocêncio, além de atuações memoráveis de Marcos Palmeira (João Pedro) e Adriana Esteves (Marianinha/Mariana). A novela ganhou uma nova adaptação na faixa das 21h em 2024, adaptada por Bruno Luperi, com Marcos Palmeira e Humberto Carrão dividindo o protagonista.

O Rei do Gado (1996)

Foto: Divulgação/TV Globo.

Exibida em 1996, “O Rei do Gado” é um dos sucessos mais arrebatadores da carreira do autor, unindo o universo do agronegócio à questão da reforma agrária — o que gerou debates intensos em todo o país na época.

A trama fisgou o público com a química implacável entre o pecuarista Bruno Mezenga (Antonio Fagundes) e a boia-fria Luana (Patrícia Pillar), ambos descendentes de famílias rivais de imigrantes italianos (os Mezenga e os Berdinazzi). O elenco estelar contava ainda com Raul Cortez (Geremias), Silvia Pfeifer (Léia), Fábio Assunção (Marcos) e uma participação brilhante de Tarcísio Meira na primeira fase.

Terra Nostra (1999)

Foto: Divulgação/TV Globo.

Exibida pela TV Globo em 1999, “Terra Nostra” abordou a imigração italiana no Brasil na virada do século XIX para o século XX, embalada novamente pela estética grandiosa da direção de Jayme Monjardim.

A história comoveu o país com o romance avassalador entre os imigrantes Matteo (Thiago Lacerda) e Giuliana (Ana Paula Arósio), além de revelar grandes talentos como Maria Fernanda Cândido. Benedito chegou a afirmar que a produção estava entre suas obras favoritas, pois resgatava memórias afetivas profundas da infância do autor, que cresceu cercado por cafezais e colônias de imigrantes no interior de São Paulo.

Velho Chico (2016)

A última novela das nove escrita por Benedito Ruy Barbosa (ao lado de seu neto Bruno Luperi) foi “Velho Chico”, exibida em 2016.

Ambientada na região do sertão nordestino, às margens do Rio São Francisco, a trama trouxe uma estética shakespeariana sob o comando de Luiz Fernando Carvalho para discutir o coronelismo e a preservação ambiental. A produção foi marcada pela atuação visceral de Rodrigo Santoro na primeira fase e pelo retorno triunfal de Antônio Fagundes à pele do coronel Afrânio. A obra também ficou marcada na memória do público pela emocionante despedida do ator Domingos Montagner (Santo), que faleceu tragicamente na reta final das gravações.

Legado na teledramaturgia brasileira

Com uma carreira iniciada na década de 1970, Benedito Ruy Barbosa deixou um dos principais legados da teledramaturgia brasileira. Ao longo de mais de 50 anos de atuação, o autor escreveu novelas que se tornaram referências na televisão nacional e influenciaram diferentes gerações de espectadores.

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