A Receita Federal informou nesta terça-feira (2) que cerca de 2,2 milhões de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 ficaram retidas na malha fina. O número corresponde a aproximadamente 5% dos mais de 44,3 milhões de documentos entregues dentro do prazo estabelecido para este ano.
A retenção ocorre quando são identificadas divergências entre as informações declaradas pelo contribuinte e os dados disponíveis nos sistemas da Receita Federal. Nesses casos, a declaração permanece sob análise até que a situação seja esclarecida ou corrigida.
De acordo com o supervisor nacional do Imposto de Renda, José Carlos da Fonseca, o percentual registrado em 2026 ficou próximo ao observado nos anos anteriores. Segundo ele, durante as primeiras semanas do período de entrega houve um volume maior de declarações retidas, mas o cenário foi sendo ajustado à medida que empresas corrigiram informações encaminhadas ao órgão.
Mudanças no envio de dados impactaram declarações
Neste ano, a Receita Federal passou a operar sem a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), documento tradicionalmente utilizado pelas empresas para informar rendimentos pagos aos trabalhadores.
Com a mudança, os dados passaram a ser obtidos por meio de outras bases, como o eSocial e a Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf).
Segundo a Receita, parte das inconsistências identificadas nas declarações teve relação com erros de classificação ou envio de informações por algumas empresas. Isso também impactou declarações pré-preenchidas, que passaram a apresentar divergências em determinados casos.
O que fazer ao cair na malha fina
Os contribuintes que tiveram a declaração retida devem consultar a situação por meio do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC), utilizando uma conta Gov.br nos níveis prata ou ouro.
No sistema, é possível verificar qual informação gerou a pendência e quais medidas devem ser adotadas para regularizar a declaração.
Quando o erro for identificado no preenchimento realizado pelo próprio contribuinte, a orientação é enviar uma declaração retificadora com os dados corrigidos. Após a regularização, a declaração deixa a malha fina.
Já nos casos em que a inconsistência esteja relacionada a informações prestadas por empresas ou prestadores de serviço, será necessário aguardar a correção dos dados enviados à Receita Federal.
Regularização pode ocorrer até o fim do ano
Segundo a Receita, grande parte das pendências costuma ser solucionada nos meses seguintes ao encerramento do prazo de entrega das declarações.
A expectativa do órgão é que aproximadamente 80% das declarações atualmente retidas sejam regularizadas até o final de 2026, seja por meio de retificações feitas pelos contribuintes ou por correções realizadas pelas fontes responsáveis pelas informações.
Caso a divergência permaneça sem solução, os contribuintes poderão apresentar documentos comprobatórios à Receita Federal a partir de janeiro de 2027 para análise do caso.
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