Ebola obriga RD Congo a transferir preparação antes da Copa do Mundo de 2026 - Estado do Pará Online

Ebola obriga RD Congo a transferir preparação antes da Copa do Mundo de 2026

Seleção africana cancela treinamentos em Kinshasa, cumpre quarentena na Europa e enfrenta restrições sanitárias impostas pelos Estados Unidos

Jogadores da seleção da República Democrática do Congo treinam na Bélgica durante preparação para a Copa do Mundo de 2026 após mudança de logística causada pelo surto de ebola no país africano. (Foto: Reprudção/Instagram/@fecofadrc)

A seleção da República Democrática do Congo precisou alterar toda a logística de preparação para a Copa do Mundo de 2026 devido ao surto de ebola registrado no país africano. A Federação Congolesa de Futebol (FECOFA) confirmou o cancelamento da etapa de treinamentos em Kinshasa, capital congolesa, e transferiu a delegação para a Bélica, onde a equipe cumpre um período de quarentena antes de embarcar para os Estados Unidos.

A mudança ocorre após o governo norte-americano passar a exigir que viajantes provenientes da República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul permaneçam ao menos 21 dias fora dessas regiões antes de entrar no território americano.

Segundo a FECOFA, a decisão foi tomada em alinhamento com a Fifa durante uma videoconferência realizada entre representantes da entidade máxima do futebol e dirigentes congoleses. O objetivo é garantir a participação da seleção no Mundial sem impedimentos sanitários.

A comissão técnica que ainda estava em Kinshasa deixou o país em 20 de maio justamente para cumprir o prazo exigido pelas autoridades americanas. Já os jogadores convocados atuam majoritariamente em clubes europeus, o que reduz preocupações imediatas sobre possível contaminação do elenco.

Conflitos armados agravam crise sanitária

O surto de ebola na República Democrática do Congo foi classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “emergência de saúde pública de interesse internacional”. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde congolês apontam mais de 900 casos suspeitos, com 101 confirmações laboratoriais e ao menos 119 mortes suspeitas.

O diretor-geral da OMS, , afirmou que o epicentro da epidemia está localizado na província de Ituri, região afetada por conflitos armados, deslocamentos populacionais e crise humanitária.

A área concentra confrontos entre grupos rebeldes e milícias armadas, como o M23 e as Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo associado ao Estado Islâmico. Segundo organizações internacionais, a violência provocou o deslocamento de centenas de milhares de pessoas, cenário que dificulta o rastreamento de casos e o acesso das equipes médicas às regiões afetadas.

Hospitais e centros de atendimento também enfrentam dificuldades operacionais devido à insegurança. Autoridades de saúde relatam obstáculos para ampliar campanhas de contenção da doença em áreas controladas por grupos armados.

Além disso, especialistas internacionais demonstram preocupação com a circulação da variante Bundibugyo do vírus ebola, que ainda não possui vacina aprovada, aumentando o alerta sanitário às vésperas da Copa do Mundo.

Torcedores enfrentam dificuldades para viajar

Além da delegação, torcedores congoleses também enfrentam obstáculos para acompanhar a Copa do Mundo de 2026. A FECOFA informou que parte dos fãs que já compraram ingressos encontra dificuldades para conseguir visto de entrada nos Estados Unidos devido às restrições sanitárias.

A entidade revelou ainda que a Fifa avalia possíveis mecanismos de reembolso para torcedores afetados pelas limitações de viagem.

A seleção congolesa ficará baseada em Houston durante o torneio e integra o Grupo K, ao lado de Portugal, Colômbia e Uzbequistão. Antes do embarque para o Mundial, a equipe fará parte da preparação em território europeu, incluindo um amistoso contra a Dinamarca no início de junho.

A Copa do Mundo de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México entre os dias 11 de junho e 19 de julho. Esta será a primeira edição do torneio com 48 seleções e 104 partidas.

Classificada para o Mundial pela primeira vez desde 1974, a República Democrática do Congo voltará a disputar uma Copa do Mundo em meio a uma das maiores crises sanitárias recentes enfrentadas pelo país.

Leia também: