O Ministério da Saúde confirmou a criação do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Carajás após uma série de protestos realizados por indígenas no sudeste do Pará. O anúncio foi feito durante reunião em Brasília, na terça-feira (5), após mobilizações promovidas pelas etnias Gavião e Xikrin.
As manifestações incluíram bloqueios nas rodovias federais BR-222 e BR-153, além da ocupação do prédio do Ministério da Saúde por representantes das comunidades indígenas. Os protestos cobravam a criação do novo distrito sanitário e a retomada das obras da Casa de Saúde Indígena (Casai) de Marabá, que seguem paralisadas desde 2025.
Segundo o ministério, ainda não há prazo oficial para implantação do Dsei Carajás, mas a previsão é de que a proposta orçamentária necessária para a criação da estrutura seja encaminhada até julho.
O ministro Alexandre Padilha afirmou que o novo distrito já faz parte do planejamento do governo federal. O compromisso foi firmado em reunião que contou com a participação de lideranças indígenas e representantes do Ministério dos Povos Indígenas.
Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas funcionam como unidades descentralizadas do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), responsáveis principalmente por serviços de atenção básica, como vacinação, pré-natal, consultas médicas e ações de saneamento.
Atualmente, a gestão da saúde indígena das aldeias localizadas no sudeste do Pará é coordenada a partir de Belém, distante mais de 500 quilômetros de Marabá. A criação do novo distrito é vista pelas comunidades como uma forma de ampliar o acesso e melhorar o atendimento de saúde na região.
Após o anúncio do governo, os protestos foram encerrados e as rodovias liberadas ainda na noite de terça-feira. Mesmo assim, as lideranças indígenas afirmaram que continuarão em estado de alerta até a confirmação oficial da dotação orçamentária para implementação do Dsei Carajás.
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