O novo momento da Anitta ajuda a entender um movimento maior na música brasileira. Com o álbum Equilibrium, lançado em abril de 2026, a artista alcançou o topo global de estreias do Spotify pela primeira vez na carreira, consolidando sua presença internacional . Mais do que números, o projeto marca uma virada estética: um trabalho que dialoga com espiritualidade, ancestralidade e referências das religiões de matriz africana.
No disco, Anitta mistura gêneros brasileiros como samba, funk e reggae com elementos afro-brasileiros e referências simbólicas ao Candomblé, criando uma narrativa que conecta identidade, fé e cultura. Essa escolha se insere em uma tradição consolidada na música nacional, em que artistas usam a arte como ponte entre espiritualidade e expressão popular.

Esse caminho já foi trilhado por grandes nomes da música brasileira, que ajudaram a levar essas referências para o centro da cultura popular.
MARIA BETHÂNIA, A MENINA DOS OLHOS DE OYÁ
A obra de Maria Bethânia é uma das mais emblemáticas nesse campo. Ao longo da carreira, a artista incorporou cantigas de terreiro, rezas e referências diretas aos orixás em seus álbuns e espetáculos. Sua relação com o sagrado não é apenas temática, mas vivida, o que se reflete na intensidade de suas interpretações. Bethânia ajudou a legitimar essas expressões no centro da música popular brasileira, aproximando o público de uma espiritualidade muitas vezes marginalizada.

Em 2016, Maria Bethânia foi homenageada pela Mangueira com o enredo “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”, que garantiu o título do Carnaval Carioca para a Estação Primeiro de Mangueira.
O CANTO DE CLARA NUNES
Já Clara Nunes foi responsável por popularizar de forma direta as religiões de matriz africana na música de massa. Em discos como “Alvorecer” e “Canto das Três Raças“, a cantora trouxe cânticos, símbolos e homenagens aos orixás para o universo do samba. Sua imagem vestida de branco e sua conexão com o sagrado marcaram uma geração.

O AXÉ DE CAETANO VELOSO
Na trajetória de Caetano Veloso, a espiritualidade aparece de forma mais sutil, mas igualmente significativa. O artista dialoga com diferentes tradições religiosas, refletindo o sincretismo característico da cultura brasileira. Em projetos como “Ofertório“, a fé, a ancestralidade e os vínculos familiares ganham destaque, evidenciando como as influências afro-brasileiras estão presentes na construção simbólica da música nacional.

ANCESTRALIDADE NA MÚSICA DE MAJUR
Entre os nomes contemporâneos, a cantora Majur também se destaca nessa conexão entre música e espiritualidade. Em 14 de maio de 2025, ela lançou o álbum “Gira Mundo“, trabalho que dialoga diretamente com referências das religiões de matriz africana, explorando temas como fé, identidade e ancestralidade. O projeto reforça a presença dessas tradições na música atual e amplia o debate sobre pertencimento e cultura afro-brasileira no cenário contemporâneo.

A ESPIRITUALIDADE DE LUEDJI
Também representando uma nova geração, Luedji Luna traz a ancestralidade como eixo central de sua obra. Em álbuns como “Um Corpo no Mundo“, a artista aborda espiritualidade, pertencimento e identidade negra a partir de uma perspectiva contemporânea. Suas composições conectam passado e presente, reforçando a importância das raízes africanas na formação cultural e emocional do Brasil.

ANCESTRALIDADE DE EMICIDA
O rapper Emicida também incorpora elementos das religiões de matriz africana em sua obra, especialmente no álbum “AmarElo“. No projeto, referências à ancestralidade, à fé e à resistência aparecem como parte de uma narrativa que valoriza as raízes africanas na construção da identidade brasileira.

Ao longo das faixas, o artista estabelece conexões entre passado e presente, destacando a importância da memória, da cultura afro-brasileira e das experiências coletivas na formação do país. A abordagem amplia o alcance dessas referências ao levá-las para o centro do debate social e cultural contemporâneo.
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