Trabalho doméstico no Pará reúne 196 mil pessoas e mais de 85% atuam sem carteira assinada - Estado do Pará Online

Trabalho doméstico no Pará reúne 196 mil pessoas e mais de 85% atuam sem carteira assinada

Dados apontam que maioria dos trabalhadores domésticos atua sem acesso a direitos trabalhistas

Pesquisa destaca precarização, jornadas extensas e baixa formalização no setor. (Foto: Licia Rubinstein / Agência IBGE Notícias)

O trabalho doméstico no Pará reúne cerca de 196 mil pessoas, segundo levantamento do DIEESE/PA com base nos dados da PNAD Contínua/IBGE referentes ao 4º trimestre de 2025. O número representa 5,2% do total de ocupados no estado, que soma aproximadamente 3,79 milhões de trabalhadores. Na Região Norte, são cerca de 416 mil pessoas no setor, enquanto no Brasil o total chega a 5,57 milhões.

Apesar de sua relevância, a atividade ainda é marcada pela elevada informalidade. No Pará, cerca de 167 mil trabalhadores domésticos não possuem carteira assinada, o equivalente a 85,2% da categoria. O índice está acima da média nacional, que é de 75,4%, e próximo aos maiores percentuais registrados na Região Norte.

Estudo revela cenário de informalidade e desigualdade no trabalho doméstico no Pará. (Foto: reprodução)

O levantamento também evidencia a forte feminização do setor. Do total de trabalhadores domésticos no estado, aproximadamente 185 mil são mulheres, o que corresponde a 94,2%. Os homens representam apenas 5,8% da categoria.

Em relação à faixa etária, há predominância de trabalhadores em idades adultas intermediárias. O maior grupo está entre 30 e 39 anos, com 27,9% do total, seguido pela faixa de 40 a 49 anos, que representa 27%. Juntas, essas duas faixas concentram mais da metade dos trabalhadores domésticos no estado.

A jornada de trabalho também revela um cenário de sobrecarga. Cerca de 41,2% dos trabalhadores atuam entre 15 e 39 horas semanais, enquanto 35,3% cumprem jornadas de 40 a 44 horas. Outros 7,1% trabalham 49 horas ou mais por semana, evidenciando a existência de cargas horárias extensas na categoria.

Levantamento mostra alta informalidade e predominância feminina na categoria no estado. (Foto: Agência Senado)

Mesmo com avanços legais importantes, como a ampliação de direitos garantida pela Emenda Constitucional nº 72/2013 e regulamentada pela Lei Complementar nº 150/2015, a realidade ainda é de dificuldade na efetivação desses direitos. A informalidade limita o acesso a benefícios como FGTS, férias remuneradas, 13º salário, seguro-desemprego e aposentadoria.

Divulgado dias antes do Dia Nacional dos Trabalhadores Domésticos, celebrado em 27 de abril, o levantamento reforça a necessidade de ampliar o debate sobre valorização profissional, formalização do vínculo empregatício e garantia de direitos para a categoria, considerada essencial para o funcionamento cotidiano de milhares de famílias.

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