A trajetória da desembargadora Eva do Amaral Coelho voltou aos holofotes após declarações polêmicas sobre a situação financeira da magistratura paraense. Durante uma sessão judicial recente, a magistrada classificou o cenário atual da categoria como desolador e mencionou possíveis dificuldades futuras para quitar despesas pessoais. O posicionamento gerou debate público imediato por contrastar com os rendimentos elevados registrados em nome da magistrada nos sistemas oficiais de controle.
Natural de 1951, a magistrada de 74 anos consolidou uma carreira de quatro décadas dentro do Poder Judiciário do Estado do Pará. Sua entrada na instituição ocorreu em 1985 via concurso público, culminando na promoção ao desembargo em julho de 2020. Ela ocupa atualmente uma das cadeiras do segundo grau da Justiça estadual, tendo ascendido à vaga após a vacância deixada por uma colega falecida.
O histórico profissional da desembargadora inclui passagens por diversas regiões do interior paraense, como as comarcas de Afuá, Chaves e Primavera. No início dos anos 2000, ela ganhou visibilidade nacional ao conduzir etapas preliminares do processo referente ao Massacre de Eldorado do Carajás. Contudo, acabou deixando o caso emblemático em 2002, após questionamentos jurídicos e alegações de suspeição apresentadas por movimentos sociais envolvidos no conflito.
As críticas recentes da magistrada direcionam-se especificamente a decisões do Supremo Tribunal Federal que limitaram o pagamento de verbas indenizatórias e benefícios adicionais. Em sua fala, ela argumentou que a restrição de auxílios e gratificações coloca os membros da magistratura em uma condição comparável ao trabalho análogo à escravidão. A desembargadora utilizou metáforas fortes para descrever a crise na carreira, afirmando que a categoria teria ultrapassado o limite do aceitável.
Dados atualizados do Portal da Transparência indicam que a remuneração bruta da magistrada atingiu o montante de R$ 117.863,72 apenas no mês de março de 2026. Após a aplicação de todos os descontos previstos em lei, o valor líquido depositado em conta superou a marca dos R$ 91 mil reais. O levantamento anual de 2025 reforça a solidez financeira da função, com rendimentos totais que ultrapassaram a cifra de um milhão de reais no período.
O contraste entre as declarações de precariedade econômica e as cifras milionárias extraídas dos documentos públicos pauta a atual repercussão negativa do caso. A opinião pública regional acompanha o desdobramento das falas, que expõem a visão de uma das figuras mais experientes do Tribunal de Justiça do Pará. O episódio reacende o debate sobre a transparência e a razoabilidade dos benefícios pagos ao alto escalão do funcionalismo público estadual.
Leia também:












Deixe um comentário