Especialista critica conduta de defesa de jovens acusados de agressão: “O advogado não é personagem do caso” - Estado do Pará Online

Especialista critica conduta de defesa de jovens acusados de agressão: “O advogado não é personagem do caso”

Crítica ocorre após repercussão do caso de agressão contra homem em situação de rua em Belém

Crítica destaca que defesa deve ser técnica e não guiada pela exposição nas redes sociais

A repercussão do caso de agressão contra um homem em situação de rua, em Belém, ganhou novos desdobramentos após a manifestação do advogado Carlos Reuteman. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele fez críticas à postura adotada por Humberto Boulhosa, que atua na defesa dos jovens investigados, em meio à forte repercussão do caso.

Segundo Carlos Reuteman, a atuação do advogado deve ser pautada pela técnica e pela estratégia jurídica, e não pela exposição pública. “Muitos esquecem que o papel do advogado é técnico, não midiático. O processo se ganha nos autos, com estratégia e técnica, não diante das câmeras”, afirmou.

O advogado também criticou o uso de discursos considerados agressivos ou performáticos durante a defesa. Para ele, esse tipo de conduta pode ter efeito contrário e prejudicar os próprios clientes. “Quando um profissional tenta se tornar personagem do caso ou usa uma retórica agressiva para defender o indefensável, ele não está protegendo o cliente. Está apenas atraindo ainda mais linchamento virtual e piorando a situação”, declarou.

Reuteman ainda destacou que, em casos de grande repercussão, é necessário adotar uma postura de cautela e responsabilidade. “A regra de ouro é amenizar os fatos graves, nunca inflamar os ânimos ou se aproveitar da tragédia para autopromoção”, disse.

Na avaliação do advogado, a exposição excessiva pode trazer riscos à condução do caso. Ele também criticou atitudes que, segundo ele, fogem ao papel da advocacia. “O advogado não é segurança particular para descer escada de delegacia em correria. A sede por visibilidade pode destruir uma carreira construída em anos”, afirmou.

Procurado pelo portal Estado do Pará Online (EPOL) o advogado Humberto Boulhosa afirmou que não vai se manifestar sobre as declarações.

O caso segue sendo investigado pelas autoridades e continua gerando forte repercussão, com manifestações de órgãos públicos e debates sobre violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade e os limites da atuação jurídica em casos de grande visibilidade.

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