A governadora Hana Ghassan (MDB) assumiu o comando do Pará cercada por um desafio político imediato: deixar de ser vista apenas como um nome da continuidade e construir uma imagem própria diante do eleitorado. Desde que chegou ao cargo, em 2 de abril, o governo passou a concentrar a exposição da chefe do Executivo em agendas de entregas, anúncios e ações em áreas de apelo popular, numa tentativa de converter a gestão em ativo político.
A movimentação ocorre em meio à leitura de que Hana ainda enfrenta dificuldade para avançar nas pesquisas e se firmar como liderança com peso próprio na sucessão estadual. Nos bastidores, a avaliação é que o perfil mais técnico e discreto da governadora, somado à força política de Helder Barbalho (MDB), ainda alimenta a percepção de que ela atua sob a sombra do antecessor. Por isso, a estratégia de comunicação do governo passou a dar centralidade à imagem de uma gestora que decide, executa e entrega.
Aposta na vitrine da gestão
Na primeira quinzena à frente do governo, Hana foi colocada no centro de agendas ligadas à segurança pública, à área social e à infraestrutura. Entre os movimentos de maior visibilidade estão a inauguração do novo batalhão da Rotam, o lançamento do SOS Mulher 190, a entrega de CNHs gratuitas para mães atípicas e o relançamento do programa Asfalto Por Todo o Pará, com previsão de 270 km de pavimentação e 40 frentes de trabalho. A escolha não é casual: asfalto tem apelo popular, produz efeito visual imediato e amplia a presença do governo em vários municípios ao mesmo tempo.
Além do peso simbólico dessas entregas, a seleção das áreas também chama atenção. Segurança, proteção à mulher, educação, mobilidade urbana e infraestrutura ajudam a ampliar o alcance político da gestão. A presença de Hana nessas agendas indica um esforço para tirá-la da condição de figura apenas administrativa e projetá-la como rosto principal do governo.
Desafio de ter marca própria
Internamente, a mesma lógica aparece na reorganização da máquina. Com a saída de secretários e chefes de órgãos por causa do calendário eleitoral, Hana passou a comandar reuniões de alinhamento com o secretariado e a cobrar resultados, numa tentativa de imprimir ritmo próprio à administração. O movimento ajuda a reforçar a ideia de comando, mas também atende a uma necessidade política: mostrar que o governo segue operando com direção própria em pleno ano pré-eleitoral.
O problema é que entrega administrativa nem sempre se traduz automaticamente em empatia eleitoral. A força de Helder continua sendo um ativo para o grupo governista, mas também cria para Hana o desafio de herdar o capital político sem parecer apenas extensão dele. É nesse ponto que a vitrine de resultados ganha importância. Mais do que divulgar obras e programas, o governo tenta construir a imagem de uma governadora capaz de fazer acontecer e, ao mesmo tempo, romper a leitura de que ainda atua apenas como sombra do antigo chefe do Executivo.
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