Quase 5 milhões de crianças com menos de 5 anos morreram em 2024 em todo o mundo. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (17) pela Organização das Nações Unidas (ONU) e indicam que a maior parte dessas mortes poderia ter sido evitada com cuidados básicos de saúde.
Desse total, cerca de 2,3 milhões aconteceram ainda nas primeiras semanas de vida. Prematuridade e complicações no parto lideram as causas, seguidas por infecções e problemas congênitos. Em muitos casos, são situações que têm prevenção ou tratamento acessível.
O cenário, no entanto, é desigual. A África Subsaariana concentra mais da metade dessas mortes, enquanto o Sul da Ásia responde por um quarto dos casos. Nessas regiões, doenças infecciosas e falhas na assistência ao nascimento seguem como os principais desafios.

Já em partes como Europa e América do Norte, os índices são bem menores, refletindo o acesso mais amplo a serviços de saúde, acompanhamento pré-natal e atendimento adequado no parto.
O relatório também chama atenção para o impacto de contextos mais vulneráveis. Crianças que nascem em áreas de conflito ou com sistemas de saúde frágeis têm quase três vezes mais risco de morrer antes de completar cinco anos.
Apesar da queda expressiva nas últimas décadas, com redução de mais da metade das mortes desde 2000, o avanço perdeu força. Desde 2015, o ritmo de redução desacelerou, o que preocupa especialistas. Mantida essa tendência, milhões de crianças ainda podem morrer precocemente nos próximos anos.
Brasil registra avanços, mas em ritmo mais lento
No Brasil, o cenário é mais positivo, embora também acenda um sinal de atenção. O país atingiu, em 2024, as menores taxas de mortalidade infantil das últimas décadas. Em 1990, eram 25 mortes a cada mil nascimentos ainda no período neonatal. Hoje, esse número caiu para sete.
Entre crianças de até cinco anos, a queda também é significativa. O índice passou de 63 mortes por mil nascidos vivos, em 1990, para 14,2 em 2024. Especialistas atribuem o avanço a políticas públicas como vacinação, atenção básica e acompanhamento de gestantes.
O levantamento reforça que medidas simples, como acesso à vacinação, acompanhamento pré-natal e assistência qualificada no parto, continuam sendo decisivas para evitar mortes e reduzir desigualdades.
Leia também:












Deixe um comentário