A capital paraense vai receber um circuito inédito de videomapping e integrar o calendário oficial da Mostra de Imagem em Movimento – MAPA. A iniciativa reúne artistas do Pará e do Maranhão em obras que dialogam com memórias coletivas e histórias ligadas à Estrada de Ferro Carajás.
A primeira edição da mostra propõe revisitar trajetórias e experiências de comunidades localizadas ao longo da ferrovia, que atravessa dezenas de territórios entre os estados do Pará e Maranhão. No Pará, a proposta é transformar Belém em uma espécie de galeria a céu aberto, com projeções e trabalhos visuais inspirados nas narrativas que cercam a linha férrea.
Entre os artistas participantes estão os paraenses Bárbara Savannah, Ícaro Matos, Juruna, Leonardo Venturieri e Rafa Cardozo. As obras utilizam diferentes linguagens, como fotografia, colagem, pintura digital e videoarte, explorando memórias pessoais e coletivas relacionadas ao território amazônico.

Natural da Ilha do Marajó, a artista visual Bárbara Savannah traz para o projeto lembranças de viagens de infância entre cidades da região. Segundo ela, o deslocamento pelos rios e as paisagens observadas durante esses percursos influenciam diretamente sua produção artística. “Eu venho de uma cidade do interior, na Ilha do Marajó, Curralinho, e a minha família também tem origem em Breves. Como a gente vive nesse trânsito entre interior e capital, as viagens de barco acabaram moldando muito a forma como eu vejo e construo meu trabalho”, afirma.
Outro participante da mostra é o cineasta e fotógrafo documental Ícaro Matos, que cresceu no assentamento Palmares, em Parauapebas. Em sua proposta artística, ele observa o cotidiano de trabalhadores e moradores que convivem com a ferrovia e identifica nas histórias dessas pessoas um ponto de partida para sua criação. “É importante resgatar como Parauapebas se construiu a partir da chegada de trabalhadores que vieram nos vagões do trem de Carajás. Isso trouxe não só mão de obra, mas também sonhos, ritmos e culturas diferentes que hoje fazem parte da identidade da região”, explica.
A artista Juruna, que também integra o projeto, trabalha com performance e investiga questões relacionadas ao corpo, território e identidade. Já o compositor e artista visual Leonardo Venturieri utiliza o som como elemento central de suas criações, inspirado por ritmos tradicionais da música paraense.
Fechando o grupo de artistas do Pará, a fotógrafa Rafa Cardozo desenvolve trabalhos que exploram a memória como elemento central de criação. Para ela, experiências familiares e coletivas se transformam em registros visuais e reflexões sobre identidade e ancestralidade. “Meu trabalho parte da memória. Ela está presente desde o início do processo criativo até o resultado final. É uma forma de preservar histórias que atravessaram a minha vida e a de outras pessoas”, diz.

Além dos cinco artistas paraenses, a mostra reúne também criadores do Maranhão. Ao todo, dez artistas participam da iniciativa, que terá exposições em diferentes territórios conectados pela ferrovia.
A programação do MAPA começa em abril com o projeto “Vagão Cultural – Trem Vale”. Em maio, o circuito chega às capitais São Luís e Belém, com o festival da mostra. O calendário será encerrado em junho com uma exposição em formato de galeria em Brasília.
A Mostra de Imagem em Movimento – MAPA é realizada pela OPACCA Produção de Imagem, com apoio da Vale, por meio de recursos voltados à preservação da memória ferroviária, sob regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Mais informações e conteúdos sobre os artistas serão divulgados nas redes sociais do projeto.
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