A busca por serviços relacionados à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por mulheres no Pará registrou crescimento expressivo nos últimos anos. Dados da Diretoria de Tecnologia e Informática (DTI) do Departamento de Trânsito do Estado (Detran) apontam que o número de processos de habilitação solicitados por mulheres saltou de cerca de 253 mil em 2024 para 862.255 em 2025, aumento de 240,5%.
Apesar de os homens ainda representarem a maioria entre os condutores habilitados no estado, o avanço da participação feminina nos procedimentos do Detran tem sido significativo.
Primeira habilitação lidera procura
Entre os serviços mais procurados pelas mulheres está a primeira habilitação. Os registros de entrada de processos na sede do Detran, nos postos de atendimento e nas Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) passaram de 238.837 em 2024 para 312.378 em 2025.
Os motivos para a obtenção da CNH variam entre uso pessoal, melhoria na mobilidade, viagens, oportunidades de trabalho e contribuição para a renda familiar. Em comum, segundo o órgão, está a busca por mais independência e autonomia.
A autônoma Jéssica Araújo, de 35 anos, iniciou recentemente o processo para tirar a primeira habilitação em Belém. Ela afirma que o documento deve ampliar suas possibilidades de deslocamento.
“Já tenho a motocicleta, mas falta a CNH. Se Deus quiser, terei em breve e, com isso, vou poder conduzir com segurança, sem medo de fiscalização, viajar e me locomover para qualquer lugar”, disse.


Mudança e adição de categoria também crescem
Além das mulheres que buscam a primeira habilitação, há também aquelas que já possuem CNH e procuram ampliar as categorias. Em 2025, o Detran registrou 9.900 atendimentos relacionados à adição ou mudança de categoria.
A categoria AB, que permite conduzir carro e motocicleta, foi a que mais registrou crescimento. O número de processos passou de 47 para 5.988 nos últimos dois anos.
Categoria D abre oportunidades de trabalho
Entre as condutoras que já possuem habilitação, a categoria D tem se destacado como uma opção voltada ao mercado de trabalho. Em 2024 não houve registros de solicitações dessa categoria por mulheres, mas em 2025 o Detran contabilizou 331 pedidos.
A CNH de categoria D permite dirigir veículos destinados ao transporte de passageiros com mais de oito lugares, como ônibus, micro-ônibus e vans, além de veículos das categorias B e C.
Para obter essa habilitação é necessário ter pelo menos 21 anos, possuir dois anos de categoria B ou um ano de categoria C e não ter cometido infrações graves ou gravíssimas nos últimos 12 meses.
A manicure Carla Dias, de Castanhal, decidiu mudar sua habilitação da categoria AB para D em busca de novas oportunidades profissionais.
“Sou de uma família de caminhoneiros e sempre tive vontade de pegar a estrada. Além disso, essa CNH com atividade remunerada abre várias opções de trabalho para dar uma vida melhor para os meus filhos”, afirmou.
Mudança de perfil
Para a diretora-geral do Detran, Renata Coelho, o crescimento da procura por habilitação entre mulheres reflete uma mudança de comportamento na sociedade.
Segundo ela, cada vez mais mulheres têm buscado na CNH uma ferramenta para ampliar oportunidades e conquistar autonomia, seja para uso pessoal ou profissional.
“É uma mudança de paradigma de mulheres que almejam a própria autonomia e que veem na CNH um instrumento de transformação de vida e realização de sonhos”, destacou.
Leia também:










Deixe um comentário