A morte do paraense Wesley Adriano Silva, de 24 anos, em combate na Guerra da Ucrânia, trouxe à tona os bastidores de sua preparação antes de deixar o Brasil. Conhecido como “Índio Boa Morte”, o jovem natural de Belém mantinha uma rotina rígida de treinamentos em uma academia de artes marciais, onde construiu a base técnica que o levaria ao front internacional. Em entrevista à TVC Belém, o ex-professor do jovem, Paulo Sousa, descreveu a transição do aspirante a atleta para combatente voluntário, após uma frustração com uma luta cancelada em 2022.
“Nossa relação era de treinador e amigo; ele chegou em 2022 querendo ser atleta, mas como uma luta marcada não deu certo, criamos um vínculo de sangue. Meus filhos o tinham como irmão e minha esposa como um filho, ele frequentava a minha casa e todos ficaram muito mal com a notícia. Ele era um grande amigo que treinava e convivia conosco diariamente”, disse.
A morte do paraense Wesley Adriano Silva, em combate na Guerra da Ucrânia, trouxe à tona os bastidores de sua preparação antes de deixar o Brasil. pic.twitter.com/6vdxUVaN9U
— Portal Estado do Pará Online (@Estadopaonline) February 11, 2026
A convivência entre mestre e aluno ultrapassava o ambiente de treino, tornando Wesley uma figura central no cotidiano da família de Sousa. O treinador relatou que o jovem compartilhava refeições e momentos de descanso em sua residência durante as folgas. Essa proximidade permitiu que Paulo acompanhasse a mudança de planos do rapaz, que passou a ver no cenário militar uma oportunidade de carreira.
”Ele me disse: ‘Vou para a guerra, é meu sonho e quero buscar uma vida melhor, quem sabe um emprego lá’. Ele era fera no que fazia e muito respeitado, por isso sua partida foi com honra e glória. Eu sabia do risco que ele corria lá na frente, mas recebemos os planos de Deus”, relatou.
Apesar da integração total à rotina do treinador, Wesley mantinha sua vida familiar preservada e distante do ambiente da academia. Paulo Sousa afirmou que, embora conversassem diariamente, as informações sobre os parentes de Wesley em Rurópolis eram superficiais. O jovem partiu para a Europa sem promover qualquer contato direto entre seu mestre e sua família.
”Eu não tinha contato nenhum com a família dele, meu vínculo era apenas com ele como treinador e amigo. Ele não falava muito sobre isso, apenas dizia que a família ‘seguia de boa’ quando eu perguntava. Apesar de estarmos juntos todo dia, treinando e jantando em casa, eu realmente sinto muito, mas não conheci os familiares”, concluiu.
A confirmação da morte de Wesley ocorreu na última terça-feira (10) por meio de nota oficial publicada por seus familiares. O paraense atuava como voluntário nas forças ucranianas, grupo que recebe estrangeiros para apoio operacional no conflito contra a Rússia.
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