A circulação de imagens com bandeiras estampando os rostos do governador Helder Barbalho e da vice-governadora Hanna Ghassan, exibidas no domingo (08) em jogos no Mangueirão, reacendeu a rivalidade entre torcedores do Clube do Remo e do Paysandu Sport Club. As postagens passaram a circular nas redes sociais e deram início a uma disputa sobre a relação entre política, arquibancada e repasses públicos.
As bandeiras foram exibidas no setor ocupado por torcidas organizadas azulinas e rapidamente se tornaram alvo de comentários e montagens. Torcedores do Paysandu ironizaram o episódio, enquanto azulinos reagiram resgatando registros antigos que também associam lideranças políticas ao clube bicolor.
Rivalidade e engajamento político das torcidas
A troca de provocações se intensificou com a divulgação de vídeos, prints e publicações em páginas de torcedores. A rivalidade esportiva passou a incorporar elementos políticos, com acusações sobre proximidade com o governo estadual.

Nas duas últimas eleições para o Governo do Estado, torcedores ligados aos dois clubes participaram de atos e mobilizações em apoio a Helder Barbalho. O histórico indica que a presença das organizadas em ambientes políticos não é recente e ocorre, em diferentes formatos, há mais de uma década.
Esse contexto passou a ser usado como argumento nas discussões atuais, reforçando a narrativa de que a relação entre futebol e política envolve ambos os lados da rivalidade.
Diferença em repasses alimenta disputa nas redes
Além do simbolismo das bandeiras, a polêmica avançou para o campo financeiro. Parte da torcida do Paysandu afirma que o bom momento recente do Remo estaria ligado a maiores incentivos do governo. Já os azulinos sustentam que o clube bicolor foi o mais beneficiado nos últimos anos.
Apuração do portal EPOL, com base em notas oficiais do Governo do Pará e do Banpará, mostra que, entre 2017 e 2026, os repasses diretos com valores individualizados somaram cerca de R$ 5,8 milhões ao Remo e aproximadamente R$ 10,8 milhões ao Paysandu.

Os dados incluem repasses iguais em 2017, contratos de naming rights em 2020, apoio ao Campeonato Brasileiro em 2023 e 2024, além de um extra de R$ 600 mil ao Paysandu em 2025. Esse último aporte foi para o clube quitar a dívida com a Fifa e voltar a contratar..
Outros investimentos, como os realizados por meio do Campeonato Paraense, ocorreram de forma coletiva, via Federação Paraense de Futebol, sem detalhamento público por equipe. A ausência de transparência individualizada nesses casos mantém o debate em aberto e segue sendo usada como combustível para a disputa entre azulinos e bicolores nas redes sociais.
Leia também:











Deixe um comentário