Ananindeua terreiro candomblé justiça contra racismo - Estado do Pará Online

Homem é condenado por racismo religioso após atacar terreiro em Ananindeua

Decisão judicial aponta intolerância e reconhece violação à liberdade de culto

Imagem ilustrativa

Um episódio de intolerância religiosa registrado em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, resultou na condenação de um homem por crime de racismo religioso no Pará. A sentença considerou que a conduta do acusado extrapolou qualquer conflito circunstancial e teve motivação discriminatória direcionada a uma religião de matriz africana.

Os fatos ocorreram durante a realização de um ritual do candomblé em frente ao terreiro Ilê Iyá Omí Asé Ofá Lewá. Conforme consta no processo, o homem se aproximou dos participantes enquanto a cerimônia acontecia e passou a dirigir ofensas preconceituosas aos praticantes, utilizando termos pejorativos relacionados à religião.

Além das agressões verbais, a Justiça reconheceu que o réu interferiu diretamente no ato religioso ao lançar água sobre objetos considerados sagrados, atingindo símbolos ligados ao culto dos orixás. A ação causou a paralisação do ritual e expôs os fiéis a constrangimento público, em um espaço onde o culto era exercido de forma legítima.

Ao analisar o caso, que ocorreu em 2022, o Judiciário concluiu que a atitude não se limitou a um eventual incômodo com o uso do espaço público, mas representou uma violação deliberada ao direito constitucional de liberdade religiosa. Com isso, o homem foi condenado a 1 ano, 7 meses e 25 dias de prisão, além de multa. A pena deverá ser cumprida em regime inicial aberto, e o réu poderá recorrer em liberdade.

O acompanhamento jurídico do caso foi feito pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO), que reafirmou que ataques a práticas religiosas de matriz africana não podem ser tratados como meros desentendimentos cotidianos.

Segundo o instituto, decisões desse tipo contribuem para fortalecer a proteção às comunidades tradicionais de terreiro e para coibir práticas de intolerância ainda frequentes no país, especialmente contra religiões historicamente marginalizadas.

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