Movimentos sociais e ativistas ambientais têm cobrado publicamente o silêncio de artistas amazônidas diante da ocupação indígena na unidade da Cargill, em Santarém, no oeste do Pará. As críticas ganharam força nas redes sociais após a mobilização indígena contra medidas que, segundo os manifestantes, representam uma ameaça aos territórios tradicionais e à soberania sobre os rios da região.
Segundo os movimentos, artistas que frequentemente exaltam a Amazônia em discursos, shows e produções culturais não se posicionaram diante do conflito, mesmo com a repercussão nacional do tema. Para os críticos, o engajamento em defesa da floresta e dos povos originários seria seletivo, aparecendo apenas em contextos institucionais, festivais patrocinados ou campanhas publicitárias.
Em publicações que circulam nas redes sociais, ativistas questionam a ausência de manifestações públicas sobre temas como a possível privatização do rio Tapajós, citada no contexto do decreto federal nº 12.600/2025, e a atuação de grandes empresas na região. “A Amazônia vira estética, discurso e identidade nos palcos, mas quando a ameaça é concreta, o que se vê é silêncio”, diz um dos textos compartilhados.
Entre os nomes citados nas críticas está a cantora Gaby Amarantos, que foi alvo de comentários relacionando seu silêncio ao patrocínio da mineradora Vale em sua carreira artística. Uma das publicações afirma que a artista, que se identifica como “brasileira da Amazônia”, estaria acompanhando a destruição dos rios e da floresta “de dentro do camarote”.

A cantora Zaynara também foi mencionada após divulgar, em apresentações recentes, mensagens sobre a valorização de quem cuida da floresta. Ativistas questionaram a ausência de apoio explícito ao movimento indígena, especialmente quando este se posiciona de forma crítica ao governo estadual, apontado como contratante de parte da agenda cultural.

Já o cantor Pinduca, conhecido como o “rei do carimbó”, também foi citado em postagens que destacam sua ausência de manifestações públicas sobre o tema. Comentários nas redes ainda relembram que artistas mencionados teriam permanecido em silêncio durante a ocupação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), ocorrida em outro momento de mobilização social no Pará.

Até o momento, os artistas citados não se pronunciaram publicamente sobre as críticas. Os movimentos sociais afirmam que a cobrança não é para que artistas resolvam conflitos políticos, mas para que se posicionem de forma coerente com os discursos de defesa da Amazônia que fazem parte de suas trajetórias públicas.
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