Moradores da Vila Rio e da Vila Martins, localizadas na divisa entre os bairros do Jurunas e da Cidade Velha, nas proximidades do Portal da Amazônia, em Belém, denunciam que convivem há anos com alagamentos constantes, problema que se agravou nos últimos meses e segue sem solução por parte do poder público.
Em conversa exclusiva com o Estado do Pará Online, uma moradora, que preferiu não se identificar, relatou que a situação não é recente e atravessa diferentes gestões municipais.
“Esse problema não é de agora. A gente já passou por vários prefeitos, como o Zenaldo, depois o Edmilson Rodrigues, e agora o Igor Normando. Só que antes a água ainda drenava. Chovia e escoava. Hoje, isso não acontece mais”, afirmou.
Segundo a fonte, o cenário se agravou a partir de abril do ano passado. Desde então, mesmo chuvas de menor intensidade são suficientes para alagar ruas e residências.
“A água simplesmente não drena mais. De abril do ano passado para cá, piorou muito. As casas enchem porque a água fica represada”, relatou.
Os moradores afirmam que já buscaram ajuda junto ao município e a diferentes órgãos responsáveis. Documentos teriam sido protocolados ainda quando o órgão de zeladoria urbana tinha outra nomenclatura, mas, até agora, nenhuma medida efetiva foi adotada.
“A gente já protocolou documentos, já conversou com representantes da prefeitura, já veio assessor, já teve conversa com a comunidade, mas resposta concreta, nada”, disse.
Nesta segunda-feira (9), com as chuvas que atingiram a capital paraense, a situação voltou a se agravar. A água invadiu residências, obrigando moradores a utilizarem botas dentro de casa.
“Hoje eu estou sentada na sala usando bota. A água está batendo na canela. Tem casas aqui vivendo uma situação de calamidade, com tudo sendo danificado”, contou.
Além dos prejuízos materiais, os alagamentos afetam diretamente a mobilidade e a rotina dos moradores.
“Aplicativos de transporte não querem mais entrar. Táxis só deixam a gente na entrada da vila. Tem idoso, tem gente doente, e a gente se sente com o direito de ir e vir totalmente prejudicado”, desabafou.
A moradora também confirmou que um assessor do prefeito Igor Normando (MDB) esteve no local recentemente e chegou a prometer uma intervenção.
“Foi um assessor do prefeito, chamado João. No dia da visita, a rua estava cheia de água. Eles tiveram que deixar o carro e vir andando pela calçada. Filmavam tudo”, relatou.
Segundo ela, a promessa era de que o serviço seria iniciado na segunda quinzena de fevereiro, mas a comunidade não acredita mais que a obra vá sair do papel.
“Eles disseram que fariam o serviço ainda em fevereiro. Existe um projeto pronto, a equipe técnica da secretaria já veio, fez medição, topografia, tudo. A pergunta é: por que o prefeito não assina autorizando a obra?”, questionou.
Os moradores também apontam que uma obra privada na área pode ter contribuído para o agravamento do problema.
“Onde antes a água escoava, foi fechado. Uma empresa comprou o terreno e está construindo um condomínio. O responsável não dialoga com a comunidade e diz que agora o problema é da prefeitura”, afirmou.
Enquanto a solução não chega, a população das vilas segue convivendo com alagamentos frequentes, prejuízos materiais e a sensação de abandono.
O Estado do Pará Online entrou em contato com a prefeitura para um posicionamento sobre o caso e aguarda retorno.
Leia também:









Deixe um comentário