Ocupação Indígena Cargill Santarém Tapajós e seus Impactos - Estado do Pará Online

Após silêncio de mais de 10 dias, ministra dos Povos Indígenas se manifesta pela primeira vez sobre ocupação na Cargill

Pressionada por lideranças, Sônia Guajajara se pronunciou sobre mobilização indígena contra a dragagem do Rio Tapajós e a falta de consulta prévia aos povos da região

Após mais de uma semana de protestos, MPI reconhece legitimidade da luta, mas não anuncia medidas concretas

Após mais de dez dias de ocupação indígena no terminal da Cargill, em Santarém, a ministra dos Povos Indígenas se manifestou publicamente pela primeira vez sobre a mobilização no Baixo Tapajós. A demora na manifestação vinha sendo criticada por lideranças indígenas e movimentos sociais, que cobram maior presença do Estado diante do avanço do agronegócio e de projetos de infraestrutura na região.

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) afirmou que o Rio Tapajós é “vida, território, memória e base de existência física, cultural e espiritual dos povos indígenas e das comunidades tradicionais”. O órgão destacou que a defesa do rio exige mais do que procedimentos administrativos, apontando a necessidade de compreensão, parceria, presença efetiva do Estado e medidas concretas de proteção aos povos e defensores de direitos humanos.

Segundo o ministério, desde o início da mobilização no Baixo Tapajós há diálogo com as lideranças indígenas por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (Demed) e da Secretaria Nacional de Gestão Ambiental e Territorial (Segat). A pasta reconheceu a legitimidade das preocupações apresentadas pelos manifestantes.

O MPI reafirmou que nenhuma iniciativa relacionada à dragagem, manutenção hidroviária ou outros empreendimentos no Rio Tapajós pode avançar sem o consentimento livre, prévio, informado e de boa-fé dos povos diretamente afetados, conforme determina a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Constituição Federal. Segundo o ministério, estão em andamento discussões institucionais com outros órgãos do governo para garantir o respeito aos processos de consulta.

Ainda de acordo com a nota, o ministério realiza atualmente a identificação de protocolos de consulta já existentes entre os povos indígenas da região, como subsídio para um processo de consulta mais amplo, compromisso assumido pelo governo federal durante a COP30.

O órgão também afirmou que, até o momento, não há autorização, cronograma ou decisão tomada para a realização de obras de dragagem no Rio Tapajós. Qualquer iniciativa futura, segundo o MPI, deverá ser precedida de estudos ambientais rigorosos, avaliação de riscos socioambientais e processos de consulta presenciais, transparentes e com garantias reais de segurança às comunidades envolvidas.

Postagem da ministra sobre futebol gerou cobranças nos comentários pela falta de posicionamento diante da ocupação indígena em Santarém

No domingo (01), após o jogo entre Corinthians e Flamengo, a ministra Sonia Guajajara publicou um vídeo nas redes sociais parabenizando o time paulista, mas a postagem acabou gerando forte repercussão negativa. Nos comentários, usuários e lideranças indígenas cobraram um posicionamento sobre a ocupação indígena no terminal da Cargill, em Santarém, que já entrou na segunda semana.

As críticas apontaram incoerência e ausência da ministra diante da mobilização no Baixo Tapajós, relembrando episódios anteriores de protestos indígenas no Pará e questionando a prioridade dada a agendas pessoais em meio a um conflito considerado grave pelos povos da região.

Por fim, o ministério reconheceu que o estado do Pará é marcado por um histórico de violência contra povos indígenas e defensores de direitos humanos, reafirmando o compromisso com a prevenção de conflitos. A pasta destacou que consultas não podem ocorrer em contextos de ameaça, coerção ou decisões previamente tomadas, e afirmou que seguirá atuando para garantir os direitos territoriais dos povos indígenas.

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