O auditório da Escola Bosque, em Outeiro, ficou movimentado na quinta-feira (29) com trabalhadores do setor alimentício em busca de qualificação. Agentes da Vigilância Sanitária de Belém conduziram a primeira capacitação do ano em boas práticas de manipulação de alimentos no distrito.
A ação marca o início de um calendário fixo de formações mensais, facilitando o acesso dos moradores da ilha ao serviço. Antes, as atividades aconteciam de forma pontual, obrigando muitos profissionais a se deslocarem para outros bairros da capital.
Com o novo formato, a proposta é garantir orientação contínua, reduzir custos para os participantes e evitar que trabalhadores percam dias de serviço para buscar a capacitação em outras regiões. Além de Outeiro, cursos semelhantes seguem ocorrendo em Icoaraci, Cotijuba e Mosqueiro, enquanto na sede da Sesma, em São Brás, as palestras continuam regulares.
O impacto da iniciativa já é sentido por quem atua diariamente com alimentos. A permissionária Márcia Pinheiro, de 53 anos, destacou a importância da qualificação para o público e para os próprios vendedores.
“A gente aprende a tratar melhor os alimentos e passa mais segurança para o consumidor. Quando o cliente se sente seguro, a praça fica mais movimentada”.
A capacitação segue normas da Anvisa e aborda temas como higiene pessoal, limpeza de ambientes, armazenamento adequado, conservação e preparo correto dos alimentos. Entre os assuntos discutidos estão as Doenças Transmitidas por Alimentos, casos de intoxicação alimentar e também a Doença de Chagas, especialmente ligada ao processamento do açaí.
Voltado tanto para trabalhadores formalizados quanto informais, o curso é exigência para obtenção da licença sanitária e para quem atua em feiras, mercados e vias públicas. Após a participação, os alunos recebem a carteirinha de manipulador de alimentos, documento emitido pela Sesma. O gerente de Alimentos da Vigilância Sanitária, Charles Rodrigues, reforçou durante a formação a responsabilidade de cada profissional na cadeia de consumo.
“Todo manipulador de alimentos também é um consumidor. Eu sempre reforço isso durante a palestra. Eles precisam ter conhecimento para cobrar qualidade e segurança, inclusive em outros estabelecimentos”.
Nesta edição em Outeiro, 125 pessoas participaram da capacitação e devem receber as carteirinhas em até cinco dias, com retirada na própria Escola Bosque. Durante o encontro, hábitos comuns que oferecem riscos sanitários também foram debatidos, como uso inadequado de tecidos para cobrir alimentos, falta de paramentação correta e uso de adornos durante o preparo.
Além de proteger a saúde, os cuidados ajudam a evitar prejuízos financeiros, já que o mau armazenamento pode causar perda de produtos. As capacitações na sede da Sesma ocorrem às segundas e quartas-feiras, nos turnos da manhã e tarde, com até 50 vagas por turma.
As inscrições são presenciais no Departamento de Vigilância Sanitária, mediante apresentação de documento com CPF. Em Outeiro, a organização das turmas conta com apoio da Escola Bosque, que divulga as datas junto à comunidade.
A Vigilância Sanitária também orienta que a população colabore denunciando situações de risco, como falta de higiene, alimentos vencidos ou presença de pragas. As denúncias podem ser feitas por e-mail ou diretamente no departamento da Sesma, em São Brás. Com a ampliação das ações educativas, o município busca fortalecer a segurança alimentar, prevenir doenças e melhorar as condições de trabalho de quem vive da venda de alimentos.









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