Kanye West admite comportamento problemático e pede desculpas por discursos de ódio e símbolos nazistas - Estado do Pará Online

Kanye West admite comportamento problemático e pede desculpas por discursos de ódio e símbolos nazistas

Em anúncio no Wall Street Journal, artista explica que ações ocorreram durante episódio maníaco de transtorno bipolar

Foto: REUTERS/Lucas Jackson

O rapper e empresário estadunidense Kanye West, atualmente conhecido como Ye, publicou uma carta aberta no The Wall Street Journal, na segunda-feira (26), na qual pediu desculpas por falas antissemitas e pelo lançamento, no início de 2025, de uma camiseta com estampa de suástica, vinculada à sua marca Yeezy.

No anúncio, pago pela própria grife, o artista afirmou que suas declarações e comportamentos problemáticos estão relacionados a um diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1, agravado por um acidente de carro em 2002, que resultou em lesões cerebrais.

Trechos da carta sobre saúde mental e contexto pessoal

Ye detalhou como o transtorno bipolar afetou suas ações e percepção da realidade:

“Perdi o contato com a realidade. As coisas pioraram quanto mais ignorei o problema. Eu disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que eu mais amo, tratei da pior forma. Vocês suportaram medo, confusão, humilhação e o esgotamento de tentar lidar com alguém que, às vezes, era irreconhecível.”

Ele também explicou o impacto do acidente de 2002:

“Há vinte e cinco anos, sofri um acidente de carro que quebrou minha mandíbula e causou uma lesão no lobo frontal direito do meu cérebro. Isso só foi devidamente diagnosticado em 2023. Essa falha médica causou sérios danos à minha saúde mental e levou ao meu diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1.”

Camiseta com suástica e responsabilidade pública

Sobre o lançamento da camiseta com a suástica, Ye justificou seu comportamento como parte de um estado maníaco:

“Nesse estado fragmentado, me aproximei do símbolo mais destrutivo que consegui encontrar, a suástica, e cheguei até a vender camisetas com ela. Um dos aspectos difíceis de ter transtorno bipolar tipo 1 são os momentos desconectados, muitos dos quais ainda não consigo recordar, que levaram a julgamentos ruins e comportamentos imprudentes.”

Ele reforçou que não se identifica como nazista ou antissemita:

“Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu.”

Consequências comerciais e shows cancelados

As falas e ações antissemitas do artista, registradas desde 2022, incluindo declarações de “amor pelos nazistas” e admiração por Adolf Hitler, resultaram em rompimentos com grandes marcas, como o contrato bilionário com a Adidas. Com o afastamento de anunciantes, Ye deixou de ser bilionário e passou a enfrentar dificuldades para realizar apresentações, incluindo um show previsto em São Paulo, no Autódromo de Interlagos.

O evento foi cancelado no ano passado após manifestação do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e a instauração de um inquérito pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Segundo o prefeito, a capital paulista não autoriza atividades em equipamentos públicos envolvendo artistas que façam apologia ao nazismo.

Ye destacou os efeitos de um episódio maníaco de quatro meses, no início de 2025:

“No início de 2025, caí em um episódio maníaco de quatro meses, com comportamentos psicóticos, paranoicos e impulsivos, que destruiu minha vida. À medida que a situação se tornava cada vez mais insustentável, houve momentos em que eu não queria mais estar aqui.”

Ele também enfatizou os esforços para se recuperar:

“À medida que encontro minha nova base e meu novo centro por meio de um regime eficaz de medicação, terapia, exercícios e vida saudável, ganhei uma clareza nova e muito necessária. Estou canalizando minha energia para uma arte positiva e significativa: música, roupas, design e outras ideias novas para ajudar o mundo. Não estou pedindo simpatia nem um passe livre, embora aspire conquistar o perdão de vocês.”

Impacto cultural e social

Além das consequências financeiras e legais, as ações de Ye geraram ampla repercussão cultural e social, com críticas de organizações judaicas, artistas e veículos internacionais. O episódio reforça debates sobre limites da liberdade de expressão, responsabilidade pública de artistas e o impacto da saúde mental em comportamentos de grande visibilidade.

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