O Ministério da Saúde passou a classificar como surto a ocorrência de casos de Doença de Chagas em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. No mesmo contexto, a morte de uma menina de 11 anos, registrada em Belém, passou a ser investigada como possível quarto óbito relacionado ao surto, embora ainda não esteja incluída nos números oficiais divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).
A criança, moradora de Ananindeua, estava internada desde o dia 11 deste mês no Hospital Beneficente Portuguesa, no bairro do Umarizal, em Belém. Exames confirmaram o diagnóstico de Doença de Chagas. Segundo familiares, ela apresentou agravamento do quadro clínico e morreu após complicações. O sepultamento ocorreu na tarde desta semana.
De acordo com a família, há suspeita de que o contágio possa ter ocorrido após o consumo de açaí no município de Ananindeua, hipótese que integra as linhas de investigação das autoridades sanitárias. O irmão da menina, também criança, permanece internado com diagnóstico confirmado da doença.
O Hospital Beneficente Portuguesa informou, em nota, que não pode divulgar dados clínicos nem confirmar causas de óbito, em respeito ao sigilo médico e à legislação vigente, mas afirmou que a paciente recebeu atendimento conforme os protocolos assistenciais. A unidade também comunicou que a notificação oficial do caso foi encaminhada à Sespa na última sexta-feira (22).
Caso ainda não integra boletim oficial
Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informou que os dados sobre casos e óbitos por Doença de Chagas são atualizados semanalmente, a partir das notificações registradas oficialmente no sistema pelos municípios. Por isso, casos ainda em investigação não entram imediatamente no balanço estadual.
Já a Prefeitura de Ananindeua, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), informou que contabiliza 37 casos confirmados de Doença de Chagas no município e três óbitos confirmados até o momento. A gestão municipal afirma que acompanha a situação de forma contínua e intensificou as ações de fiscalização, prevenção e orientação.
As medidas incluem atuação da Vigilância Sanitária e Ambiental, em parceria com a Casa do Açaí, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Polícia Municipal, com foco na orientação e fiscalização de batedores e vendedores de açaí, para garantir boas práticas de higiene, manipulação e armazenamento do alimento.
Ministério da Saúde acompanha investigação
Em nota, o Ministério da Saúde confirmou que acompanha a situação em Ananindeua, classificada como surto associado à possível transmissão oral da Doença de Chagas, e que oferece apoio técnico às investigações, além de reforçar que o tratamento é gratuito pelo SUS.
As autoridades de saúde orientam que, diante de sintomas suspeitos, a população procure atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Leia também:











Deixe um comentário