Repressão no Irã deixa 43 mil mortos em meio a revolta por crise econômica - Estado do Pará Online

Repressão no Irã deixa 43 mil mortos em meio a revolta por crise econômica

Levantamento de Direitos Humanos detalha violência das forças de segurança contra civis em residências.

​O Centro Internacional para Direitos Humanos reportou que a repressão estatal no Irã já resultou na morte de ao menos 43 mil pessoas. O levantamento detalhado utilizou investigações de campo e análises de registros audiovisuais para documentar a gravidade do cenário atual.

​As manifestações tiveram início em Teerã, onde comerciantes decidiram paralisar as atividades em protesto contra a situação financeira do país. Rapidamente, o movimento extrapolou os limites dos centros comerciais e ganhou contornos de uma revolta política em escala nacional.

​Testemunhas relatam que as forças de segurança utilizam táticas letais e perseguem cidadãos mesmo após a dispersão dos atos públicos. Há registros de disparos efetuados dentro de residências, transformando refúgios em locais de confrontos fatais e execuções diretas.

​A insatisfação popular foi impulsionada pelo aumento súbito nos preços de alimentos básicos, como óleo e carne de frango. A escassez de produtos nas prateleiras agravou o sentimento de revolta entre os diferentes estratos da sociedade iraniana.

​A crise piorou consideravelmente após o Banco Central encerrar subsídios cambiais que beneficiavam determinados setores da importação. Essa mudança forçou lojistas a reajustarem preços drasticamente ou encerrarem operações, motivando a adesão dos tradicionais comerciantes locais aos protestos.

​O governo tentou conter o descontentamento oferecendo auxílios financeiros diretos de valor reduzido à população. No entanto, a medida foi considerada insuficiente pelos manifestantes e não conseguiu estancar a onda de críticas à gestão central.

​Estes são os maiores protestos registrados no país desde o movimento motivado pela morte de Mahsa Amini em 2022. O cenário atual reflete uma ruptura profunda entre a sociedade civil e as diretrizes mantidas pela República Islâmica.

Leia também: