A participação do deputado federal Celso Sabino no Égua do Podcast, na segunda-feira (19), repercutiu no meio político paraense ao explicitar sua posição sobre a sucessão estadual de 2026 e sobre sua pré-candidatura ao Senado Federal. Na entrevista, Sabino afirmou que acompanhará a pré-candidatura da vice-governadora Hana Ghassan (MDB) ao governo do Pará. Além disso, afastou qualquer possibilidade de alinhamento político com o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB).
Ao tratar do cenário eleitoral, o deputado reconheceu que o governador Helder Barbalho (MDB) já declarou apoio público ao deputado estadual Chicão (UB) para a disputa ao Senado. Segundo Sabino, essa definição antecipada altera o ambiente político dentro do campo governista. Entretanto, ela não inviabiliza o debate sobre outras candidaturas.
Na avaliação do parlamentar, o Pará pode se beneficiar da eleição de dois senadores com atuação ativa em Brasília. Ele defendeu que a convivência entre convergências e divergências é saudável para a democracia. Segundo ele, isso acontece dentro de um mesmo campo político mais amplo e fortalece a representação do estado no Congresso Nacional.
Apoio ao Executivo e distanciamento do prefeito de Ananindeua
Durante a entrevista, Sabino foi questionado sobre rumores de que poderia caminhar politicamente ao lado do prefeito de Ananindeua na disputa estadual. O deputado negou qualquer articulação nesse sentido. Disse manter diálogo institucional com todos os prefeitos do Pará, sem exceção, mas ressaltou que seu posicionamento político está definido no campo do Executivo estadual.
“Hoje, o apoio que eu tenho é para a nossa vice-governadora Hana”, afirmou, acrescentando que seguirá esse caminho eleitoral. Com isso, Sabino afastou de forma explícita a possibilidade de integrar um projeto político liderado por Daniel Santos no processo sucessório de 2026.
O deputado também reconheceu que, sob o ponto de vista pessoal, o cenário seria mais confortável caso o governador não tivesse declarado apoio antecipado a outro nome para o Senado. Ele lembrou que, em eleições anteriores, articulações desse tipo ocorreram apenas no fim da campanha. Além disso, afirmou esperar que, desta vez, eventuais definições aconteçam com maior antecedência.
Indefinição partidária e bastidores apurados
Questionado sobre a legenda pela qual poderá disputar o Senado Federal, Sabino afirmou que recebeu convites de diferentes partidos. Ele ainda estuda qual será o melhor caminho. Segundo ele, a decisão dependerá de uma avaliação criteriosa do cenário político. Além disso, levará em conta a viabilidade eleitoral e do alinhamento com projetos nacionais e estaduais.
Após sua expulsão do União Brasil, no fim de 2025, o comando da legenda no Pará entrou em processo de reorganização. Nos bastidores, o deputado estadual Chicão passou a ser apontado como o nome indicado para assumir a presidência estadual do partido. Até o momento, porém, não houve anúncio público formal confirmando a posse de Chicão na direção estadual.
Também circularam informações de bastidor de que, no fim do ano passado, dirigentes nacionais do PT discutiram internamente a possibilidade de aproximar Sabino da legenda para uma eventual candidatura ao Senado. A hipótese chegou a ser considerada, mas não avançou para negociações formais. Além disso, não teve desdobramentos públicos, permanecendo restrita ao campo das conversas preliminares.
Possíveis caminhos partidários
Com a indefinição mantida, o nome de Sabino passou a ser associado a legendas aliadas ao governo federal e também a partidos de centro com atuação pragmática. Entre as siglas citadas como possíveis alternativas está o PDT. O partido reúne histórico de apoio ao presidente Lula, presença nacional consolidada e margem para a construção de projetos próprios nos estados.
O PSB, embora integre a base do governo federal, aparece com menor aderência a esse movimento. Isso ocorre por ser a legenda do prefeito de Ananindeua, pré-candidato ao governo do Pará. Sabino declarou publicamente não pretender se aproximar dele no atual cenário.
No campo do centro, surgem ainda como possibilidades PSD, Podemos e Republicanos, legendas que mantêm relação institucional com o Planalto e costumam preservar autonomia nos estados. A viabilidade de cada uma dependerá do grau de independência política que Sabino conseguiria sustentar no Pará. Além disso, dependerá da coerência do discurso em relação ao seu alinhamento com o governo federal.
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