Drauzio Varella diz que a Amazônia é a região mais abandonada do país - Estado do Pará Online

Drauzio Varella diz que a Amazônia é a região mais abandonada do país

Declaração foi feita durante entrevista ao Roda Viva, em que o médico falou sobre seu novo livro ambientado na região do Rio Negro

Reprodução/Redes Sociais

Ao participar do programa Roda Viva para comentar o lançamento do livro O sentido das águas: Histórias do Rio Negro, o médico Drauzio Varella afirmou que a Amazônia é a região mais abandonada do país. A declaração surgiu a partir de reflexões acumuladas ao longo de décadas de viagens pela bacia do Rio Negro, onde o autor acompanhou de perto a rotina de comunidades ribeirinhas, indígenas e moradores de cidades amazônicas.

Durante a entrevista, Varella destacou que o abandono a que se refere não diz respeito à floresta, mas às condições de vida da população que vive na região. Segundo ele, indicadores como renda, acesso à água encanada, coleta de esgoto, infraestrutura urbana e Índice de Desenvolvimento Humano permanecem abaixo da média nacional, revelando um histórico de negligência do poder público em relação ao Norte do país.

Vivência no Rio Negro e diagnóstico social

O médico explicou que o livro reúne relatos humanos e observações feitas ao longo de mais de 30 anos de contato com a região do Rio Negro. A obra busca romper com a visão distante e idealizada da Amazônia, apresentando o território como um espaço habitado, com desafios sociais concretos. Para Varella, a região foi tratada historicamente como fronteira de exploração de recursos naturais, sem que isso resultasse em investimentos estruturais duradouros.

Pesquisadores e estudos sobre desenvolvimento regional apontam que a ausência de políticas públicas contínuas, aliada ao isolamento geográfico e à logística complexa, contribuiu para aprofundar desigualdades. A urbanização acelerada e desordenada de cidades amazônicas, somada à baixa cobertura de saneamento básico, reforça esse cenário.

Debate além da preservação ambiental

A fala de Drauzio Varella dialoga com análises que defendem a integração entre preservação ambiental e desenvolvimento humano. Especialistas destacam que grande parte da riqueza gerada na Amazônia não permanece na região, limitando a capacidade de investimento local e perpetuando desigualdades históricas.

Ao relacionar sua obra literária com a realidade observada no Rio Negro, o médico reforçou que discutir a Amazônia vai além da proteção da floresta. Segundo ele, o desafio central é construir um projeto de desenvolvimento que reconheça a região como território vivo, garantindo direitos básicos e melhores condições de vida para a população amazônica, historicamente relegada a segundo plano nas prioridades nacionais.

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