A influenciadora Bruna Furlan, de 24 anos, usou as redes sociais para anunciar que foi diagnosticada com câncer de mama em dezembro de 2025 e que dará início ao tratamento. Neta do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, ela revelou que a doença não está localizada, caracterizando um câncer de mama metastático.
O caso da jovem reacende o alerta para o aumento dos diagnósticos de câncer de mama em mulheres com menos de 30 anos no Brasil, tema que tem mobilizado especialistas diante do crescimento da incidência da doença nessa faixa etária.
Crescimento de casos em mulheres jovens
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 74 mil novos casos de câncer de mama são registrados anualmente no Brasil. Aproximadamente 5% desses diagnósticos ocorrem em mulheres com menos de 30 anos, o que representa cerca de 3.700 pacientes nessa faixa etária
A mastologista Camila Loureiro, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), alerta que, apesar de ainda ser considerado raro, o câncer de mama em mulheres jovens apresenta crescimento preocupante no país. Dados do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, mostram que a incidência em mulheres com menos de 40 anos passou de 10% em 2000 para 16% em 2019
Diagnóstico tardio preocupa especialistas
O câncer de mama em mulheres jovens tende a apresentar evolução mais rápida e maior gravidade. Um dos principais desafios é o diagnóstico tardio, já que o rastreamento por mamografia é recomendado rotineiramente apenas a partir dos 40 anos. “O rastreamento bem feito garante diagnóstico precoce e chances de cura que podem superar 90%”, destaca a médica
Fatores de risco e estilo de vida
Segundo a especialista, fatores como obesidade, sedentarismo e alcoolismo têm relação direta com o aumento da incidência da doença. Mudanças no comportamento reprodutivo também influenciam o cenário. “Gravidez e amamentação são fatores de proteção contra o câncer de mama, mas hoje as mulheres têm filhos mais tarde, menos filhos e amamentam por menos tempo”, explica Camila Loureiro
Prevenção e atenção aos sinais
Especialistas recomendam que mulheres jovens estejam atentas aos fatores de risco, mantenham uma rotina de consultas ginecológicas, conheçam o próprio corpo e investiguem o histórico familiar. Entre 5% e 10% dos casos de câncer de mama têm causa hereditária, o que pode justificar a realização de testes genéticos em pacientes jovens
Personagem: diagnóstico aos 29 anos
A advogada Martha Cecim, hoje com 36 anos, foi diagnosticada com câncer de mama aos 29 anos. Ela relata que, inicialmente, dois mastologistas consideraram o nódulo benigno. A decisão de realizar a cirurgia e a biópsia confirmou o câncer. “Hoje, tenho certeza de que o melhor é investigar e seguir todas as recomendações de especialistas atualizados”, afirma
Após um tratamento que incluiu quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, Martha está curada e utiliza as redes sociais para conscientizar mulheres jovens sobre a doença. “Informação salva vidas”, reforça
Avanços no tratamento
Segundo Camila Loureiro, o diagnóstico de câncer de mama metastático não é sentença de morte. A oncologia tem avançado significativamente, oferecendo tratamentos mais eficazes, além de suporte psicológico e orientações sobre fertilidade, fundamentais para pacientes jovens
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