O Circuito Mangueirosa anunciou nesta quarta-feira (14), por meio de suas redes sociais, que não realizará sua edição no Carnaval de 2026. A decisão foi atribuída à falta de patrocínios e parcerias capazes de garantir a estrutura necessária para o evento, que envolve custos com equipes numerosas, logística, segurança e pagamento de artistas.
Criado para celebrar a música amazônica, valorizar artistas locais e promover a ocupação democrática das ruas de Belém, o Mangueirosa se consolidou ao longo dos últimos carnavais como um dos principais circuitos gratuitos da cidade. A suspensão da edição de 2026, no entanto, interrompe uma trajetória associada à revitalização do Carnaval de rua na capital paraense.
Repercussão e críticas do público
O anúncio gerou forte reação nas redes sociais. Seguidores classificaram o circuito como um patrimônio cultural da cidade e lamentaram o fato de um projeto que “revolucionou o Carnaval de Belém” não conseguir patrocínio. Entre os comentários, surgiram críticas à ausência de políticas de incentivo ao turismo carnavalesco e à cultura pública, além de comparações com municípios do interior que conseguem atrair grandes atrações durante o mesmo período.
Parte das manifestações também aponta para um modelo de Carnaval cada vez mais concentrado em eventos privados. Comentários destacam que a dificuldade de manter um circuito gratuito na capital indicaria a priorização de blocos fechados e pagos, restringindo o acesso da população a uma festa historicamente associada ao espaço público.
Modelo cultural em debate
Ao longo de sua história, o Mangueirosa defendeu um Carnaval inclusivo, sustentável e voltado à ocupação coletiva das ruas, em contraponto a formatos comerciais. A ausência do circuito em 2026 evidencia, segundo avaliações recorrentes do público, fragilidades estruturais no apoio à cultura popular urbana em Belém, especialmente em um período de alto potencial turístico e econômico.
No comunicado divulgado nas redes, a organização afirma que o projeto não foi encerrado e projeta retorno em 2027, mantendo os princípios que marcaram sua atuação. Até lá, a suspensão do Mangueirosa deixa um vazio no calendário carnavalesco da capital e reforça o debate sobre o papel do poder público e da iniciativa privada no fortalecimento do Carnaval de rua e da economia cultural em Belém.










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