A Cúpula dos Povos encerrou as atividades neste domingo (16), em Belém, com a entrega de um documento que promete repercussão internacional. A Declaração Final, apresentada ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, traz críticas à política externa de países do Norte global e acusa Israel de praticar “genocídio contra o povo palestino”.
A carta foi entregue durante audiência pública na Universidade Federal do Pará (UFPA), que marcou o encerramento do encontro, realizado desde o dia 12 e considerado a maior reunião de movimentos sociais durante a COP30.
Documento mistura clima, política global e reivindicações territoriais
Embora o trecho sobre a guerra tenha dominado a atenção, o texto reúne uma série de demandas climáticas estruturais. Entre as principais reivindicações apresentadas pelos movimentos estão:
- demarcação de territórios indígenas e tradicionais;
- financiamento internacional para uma transição energética justa;
- políticas de adaptação climática para populações vulneráveis;
- ações efetivas de mitigação das emissões de gases de efeito estufa;
- combate ao racismo ambiental e à desigualdade urbana;
- críticas à “financeirização” e às chamadas falsas soluções de mercado.
Segundo os organizadores, mais de 70 mil pessoas participaram do processo de construção da carta, incluindo indígenas, quilombolas, ribeirinhos, quebradeiras de coco, movimentos urbanos, representantes de periferias e organizações internacionais.
A declaração dedica um trecho extenso para condenar conflitos armados, afirmando que guerras intensificam a crise climática e agravam desigualdades socioambientais. O texto exige o fim das guerras, pede desmilitarização e afirma ser necessário redirecionar gastos bélicos para políticas de reparação ambiental. A passagem mais dura é a que cita diretamente o Oriente Médio, classificando as ações de Israel como “genocídio”.
A presidência da COP30 recebeu oficialmente o documento, mas ainda não comentou o teor das acusações. André Corrêa do Lago afirmou apenas que as contribuições serão encaminhadas aos grupos técnicos da conferência.
A leitura da declaração ocorreu em meio à presença de representantes da COP30, movimentos sociais e lideranças tradicionais. O documento foi entregue após a apresentação da Carta das Infâncias, também produzida durante a Cúpula.
O evento encerra o ciclo de mobilizações paralelas à COP30, que agora entra em uma semana decisiva com agendas oficiais de ministros, chefes de Estado e negociadores internacionais.
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